IPCA divulgado pelo IBGE aponta recessão e inflação ascendente, diz especialista da ESPM

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, sinaliza que o país enfrenta forte recessão, diz Leonardo Trevisan, economista e professor da ESPM.  Segundo ele, a inflação acumulada nos últimos 12 meses pode disparar, chegando a 7% no mês de maio.  “O problema não é apenas a sazonalidade do início do trimestre. Há uma inflação ascendente e uma pressão de preços muito forte para um país que está com a atividade econômica represada e sem previsão de melhora.”

O IPCA de março foi de 0,93%, 0,07 ponto percentual acima da taxa de fevereiro (0,86%). Esse é o maior resultado para um mês de março desde 2015, quando foi registrada inflação de 1,32%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,05% e, nos últimos 12 meses, de 6,10%, acima dos 5,20% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2020, a variação havia sido de 0,07%.

Além disso, de acordo com Trevisan, a instabilidade política para o enfrentamento da crise sanitária causada pela pandemia de covid-19 se reflete negativamente nos investimentos realizados pela iniciativa privada.  “O Banco Central olha a pressão do câmbio, mas boa parte da resistência dos processos externos é dada pela falta de consenso político para enfrentar a pandemia, o que faz o empresário pensar duas vezes antes de investir.”

GrupoVariação (%)Impacto (p.p.)
FevereiroMarçoFevereiroMarço
Índice Geral0,860,930,860,93
Alimentação e bebidas0,270,130,060,03
Habitação0,400,810,060,12
Artigos de residência0,660,690,030,03
Vestuário0,380,290,020,01
Transportes2,283,810,450,77
Saúde e cuidados pessoais0,62-0,020,080,00
Despesas pessoais0,170,040,020,00
Educação2,48-0,520,15-0,03
Comunicação-0,13-0,07-0,010,00
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

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