Maioria das multinacionais está pronta para voltar a alocar colaboradores em missões no exterior

A Crown World Mobility, empresa especializada em expatriação de executivos, realizou um levantamento com 500 representantes de multinacionais e concluiu que 77% das companhias estão prontas para realocar funcionários e familiares em outros países, assim que as fronteiras forem reabertas. A pesquisa foi parte do webinar “5 standout talent mobility trends for 2021” realizado em fevereiro e divulgado agora em Abril, que abordou as cinco principais tendências do mercado de mobilidade global para o ano de 2021.

Os cinco pontos discutidos foram a diferenciação entre as definições de trabalho remoto, de home office e do novo conceito de “work from anywhere” office, as conclusões chegadas em relação às missões adotadas virtualmente, as principais medidas que serão tomadas para o retorno ao escritório, se as políticas de suporte aos funcionários adotadas durante a pandemia perdurarão e as previsões para a reabertura de fronteiras após a vacinação. Para as painelistas, a possibilidade de realizar determinadas tarefas de maneira virtual é um avanço significativo para a indústria de mobilidade. Entretanto, existem determinadas funções e cargos que não podem ser substituídos por esse modelo, seja por produtividade dos funcionários, por logística ou por leis de imigração.

“Já foi comprovado e documentado que a imersão cultural é essencial para que os trabalhos internacionais sejam bem sucedidos. Ela permite mais flexibilidade, por exemplo, na abordagem e no tipo de comunicação usados pelo profissional”, afirmou Joanne Danehl, diretora de habilidades globais da Crown World Mobility. “Nós trabalhamos uma vez com um profissional da Nova Zelândia em uma missão virtual no Japão que afirmou ter dificuldade para se engajar com a nova cultura porque a sua curiosidade não era despertada pelos elementos físicos no seu entorno. Com certeza o seu rendimento foi comprometido por isso.” 

Para Lisa Johnson, líder global de práticas, serviços de consultoria e diversidade & inclusão da Crown World Mobility, a mudança que veio para ficar é que as empresas se tornarão mais criteriosas na hora de selecionar a modalidade de trabalho, e deverão existir guias e políticas internas diferentes para cada uma delas. “Antes de definir se uma missão será virtual ou presencial, é importante refletir, por exemplo, sobre o fuso horário. Terão horas antissociais [antes das seis da manhã e depois das nove da noite] envolvidas no trabalho? É claro que, nesse mercado, é comum termos horas antissociais, mas isso não pode acontecer diariamente e, se for o caso, é melhor enviar o profissional para trabalhar naquele país”, ressaltou.

Do ponto de vista da imigração, a pandemia trouxe muita flexibilização de leis. Andrea Fascetti, diretora de serviços de imigração da Crown World Mobility, explicou que nem todo tipo de visto possibilita os modelos de trabalho remoto mas, com a pandemia, concessões foram feitas para que os funcionários presos em determinados países pudessem continuar seus serviços. “Agora nós estamos aguardando ansiosamente para saber quais leis serão permanentes para então adaptar funções e cargos de funcionários, bem como realocá-los quando necessário.” 

O painel foi finalizado com um questionamento direcionado aos participantes, após toda a discussão em torno do trabalho remoto, para descobrir como as empresas estão lidando com a proximidade da reabertura de fronteiras. Enquanto 10% e 13% dos representantes de multinacionais afirmaram ainda estarem receosos em relação a enviar colaboradores para o exterior, a grande maioria afirmou que as empresas já estão prontas para expatriar funcionários e seus familiares, assim que possível. 

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