PMEs conseguem economia até 20% na conta de luz com geração compartilhada

Em meio à pandemia do novo coronavírus e à retração econômica, as empresas buscam formas para reduzir seus custos e manter a sustentabilidade dos negócios. Dentro desse contexto, alguns empresários descobriram a chamada Geração Compartilhada, uma modalidade que foi regulamentada pela Aneel há cerca de cinco anos e que beneficia consumidores com contas de luz entre R$1.200 e R$ 20 mil. A economia na fatura pode chegar a até 20%. 

A Panificadora Manchester, em Joinville (SC), é um dos empreendimentos que aderiram ao modelo. Há cerca de um ano, a conta de luz era o maior custo fixo da empresa, no valor de aproximadamente R$ 20 mil. “Depois que aderimos à Geração Compartilhada, a conta de luz diminuiu, em média, 10%. Em alguns meses, a redução foi até maior; mas em outros foi menor, em função do volume de chuvas”, explica o administrador do panificadora, Carlos Roberto Shigeoka.

Ele destacou que a economia de 10% na conta de luz já viabilizou um aporte importante na modernização do maquinário e em campanhas de marketing. Shigeoka atribui um crescimento nas suas vendas a essa redução na conta de luz. “Em meio à pandemia, nós conseguimos divulgar o nosso serviço de delivery, que passou de 2% do nosso faturamento para 40%”, diz. Em fevereiro deste ano, inclusive, o empreendimento ganhou mais uma unidade, com a contratação de 11 funcionários.

Modalidade consiste no aluguel de parte de usinas renováveis

A Geração Compartilhada permite que os consumidores aluguem, por meio de uma cooperativa, parte de uma usina renovável. Com isso, o preço pago pela energia elétrica fica inferior ao cobrado pelas concessionárias. Outro benefício ao consumidor que adere à modalidade é que não existe a necessidade de qualquer investimento ou alteração física no empreendimento.

O professor do curso de Engenharia Eletrônica da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Marcio Casaro, explica que a geração compartilhada é uma modalidade da chamada Geração Distribuída (quando o consumo da energia elétrica se dá próximo de onde ela foi gerada, entre outras características). Os painéis solares e as plantas de biomassa estão entre as usinas de Geração Distribuída mais conhecidas.  

Geralmente, a implantação de um sistema de Geração Distribuída visa o suprimento de energia da própria unidade consumidora. Mas, quando há um excedente na geração, a energia é injetada no sistema da concessionária. “Esse excedente pode ser abatido do consumo futuro da própria unidade consumidora ou de outras unidades consumidoras, com a geração compartilhada. Nesse modelo, um consumidor pode alugar um percentual da energia elétrica produzida por um micro ou minigerador enquadrado na Geração Distribuída.”, ressalta Casaro.

O professor ainda salientou que a transação só pode ocorrer dentro da mesma concessionária, ou seja, o consumidor só pode alugar parte de uma usina que esteja localizada na mesma área de abrangência da sua distribuidora de energia. No caso da Panificadora Manchester, o empreendimento aluga parte da Central Geradora Taquara Verde, localizada em Caçador, no Oeste de Santa Catarina. A usina está situada na área de atuação da Celesc, mesma concessionária que atende o município de Joinville.

Para aderir à geração compartilhada, é necessário apenas se associar a uma cooperativa ou a um consórcio, que reúna, além dos consumidores, os geradores de energia. Shigeoka conta que o processo para adesão é bastante simples. Ele incentiva que outros empresários adotem o modelo, como forma eficaz de reduzir custos. “A geração compartilhada é uma ferramenta muito segura, sem riscos. E o mais importante, não demanda investimento”, afirma.

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