A Coluna do Roberto Maciel (terça, 11.5): Um almirante que barra vacinas vai hoje à CPI do Genocídio

  • A CPI da Pandemia ouve nesta terça-feira (11.5) o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. Almirante abrigado sob a sombra do governo de Jair Bolsonaro, Barra Torres foi chamado para falar sobre o processo de liberação de vacinas contra o coronavírus, faltando uma semana para se completar um ano de quando foi diagnosticado com a covid-19 após participar de aglomerações com Jair Bolsonaro. A reunião da Comissão – também chamada de CPI do Genocídio – está agendada para começar às 10 horas. A convocação resultou de quatro requerimentos. O primeiro foi assinado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA) e questiona o fato de a Anvisa ter negado autorização à vacina Sputnik V, produzida pelo laboratório russo Gamaleya. Os demais foram encaminhados pelos senadores Eduardo Girão (Podemos-CE), Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente do colegiado. Amanhã deve estar frente a frente com os senadores um dos maiores responsáveis pela miséria em que se arrastam as relações exteriores do Brasil: o ex-ministro olavista Ernesto Araújo – um exótico diplomata que acredita em lorotas como “globalismo” e “marxismo cultural”. Araújo tensionou as relações do País com a China e com outras nações.

“Polêmicas”
Fala do senador Coronel: “O processo que levou à não liberação pela Anvisa da Sputnik V foi envolto em polêmicas e supostas pressões de ambos os lados. Tal processo merece ser apreciado por esta CPI e por isso é imperiosa a convocação”. Como se nota, o parlamentar faz questão de se mostrar em cima do muro. Não é o caso de Randolfe Rodrigues: “Só foi possível chegar a essa situação catastrófica por conta dos inúmeros e sucessivos erros e omissões do governo no enfrentamento da pandemia da covid-19 no Brasil”.

Na penumbra do Planalto
Há outro ponto que vai ser obrigatoriamente abordado – sobretudo pela oposição, que tem deixado os governistas em situações vexatórias. É a articulação denunciada pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Antonio Mandetta, de que havia gente próxima a Jair Bolsonaro se movendo para mudar a bula da cloroquina. Isso mesmo! Queriam, na surdina, alterar as orientações farmacológicas de um produto agressivo para o organismo humano para que se tornasse recomendado para o tratamento da covid-19 – bem ao gosto do presidente da República, portanto. Mais um aspecto deve ser citado na reunião com Antonio Barra Torres: a presença do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) em encontros técnicos do que, segundo o depoimento de Mandetta, seria um comitê de “aconselhamento paralelo” da Presidência. Esse comitê, disse Mandetta, seria formado por pessoas as quais ele não conhecia.

A propósito

Um almirante cumprindo ordens questionáveis de um capitão, sem contemplar os mínimos requisitos técnicos de uma função estratégica para a saúde pública, lembra algum general em posição similar?

Linha feminina

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O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), sancionou lei que configura violência contra a mulher qualquer lesão de natureza física e sexual ocasionada pela condição de gênero. O texto original foi assinado pelas deputadas Érika Amorim (PSD) e Augusta Brito (PCdoB). “As mulheres vítimas de violência, quando se deslocam até um local de atendimento, carregam consigo não só machucados no seu corpo – também levam feridas emocionais, na alma. Machucados internos que não são vistos e que trazem dores muito maiores e traumatizantes, pedindo um olhar cada vez mais humanizado”, diz Érika.

Passa ou repassa?
O presidenciável Ciro Gomes (PDT), ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro e ex-deputado estadual e federal, não aposta que a CPI do Genocídio tenha resultados positivos. E diz que é “difícil o Brasil ser moralizado por uma CPI que tem como relator Renan Calheiros”.

Opção
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) publicou chamamento público no Diário Oficial do Estado para selecionar dez farmácias interessadas em ceder espaço e estrutura de imunização, sem ônus para o Estado e de forma gratuita para a população. Trata-se de mais um esforço para ampliar a vacinação contra a covid-19.

Termos
Empresas interessadas terão cinco dias, contados desde ontem (10.5), para oficializar proposta de participação por meio de Termo de Cooperação com a Sesa. O edital especifica os critérios técnicos necessários para as lojas participarem do projeto piloto, que terá três meses de duração, inicialmente.

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Recebo hoje, no meu projeto Coluna da Hora, o presidente nacional da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé. Também CEO e fundador do Laboratório de Inovação Social (LIS), além de ser rapper, Preto Zezé é escritor e ativista social. Atualmente, a Cufa desenvolve campanha para arrecadação de alimentos em ação contra a fome. Começaremos nossa conversa às 18 horas.

O outro lado
O setor de energia solar vive momento de crescimento no Brasil. O país deve atingir 12,56 gigawatts de capacidade instalada de projetos de geração de energia solar fotovoltaica neste ano, um crescimento de 68% em relação à potência atual, de 7,46 GW. Não é só porque o País tem luminosidade em abundância, mas também porque a política de preços estabelecida pelo governo de Jair Bolsonaro é torturante. Além disso, vale lembrar que FHC e demais tucanos deram de mão beijada para a iniciativa privada o filé das empresas de energia elétrica que eram estatais. Agora, Bolsonaro, sob as ordens de Paulo Guedes, olha com atenção gulosa para o que sobrou da Eletrobrás.

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