Na crise da pandemia, Estado tem de induzir crescimento econômico, diz presidente da CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, avalia que, em meio à aguda crise econômica e social gerada pela pandemia, é importante o setor público ser o indutor do desenvolvimento industrial e do crescimento do país, com aceleração da agenda de privatizações, concessões e reformas estruturantes. A afirmação foi feita durante o seminário “UOL Líderes”, que contou também com a participação da ex-secretária do Tesouro Nacional e atual economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi.

Robson Andrade defendeu, ainda, que é fundamental a realização de uma reforma tributária ampla, que abranja os três entes da Federação (União, Estados e Municípios) e simplifique o sistema de cobrança de impostos no país, nos moldes da proposta apresentada no âmbito da Comissão Mista do Congresso Nacional.

Para o presidente da CNI, o governo está no caminho certo ao viabilizar privatizações e concessões de empresas públicas, destacando o sucesso de leilões já realizados, como o da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE). Segundo ele, na área de infraestrutura, o Estado precisa atrair o capital estrangeiro com regras claras. “A pandemia só mostrou as deficiências que já existiam no Brasil, expôs as mazelas da regulação e a falta de reformas. Desta forma, é necessário criar um ambiente de negócios diferente, o que só será possível com a realização de uma reforma tributária ampla”, acrescentou.

 “Custo Brasil” reduz competitividade das empresas e do país

Durante o debate, Robson Andrade citou estudo realizado pelo Ministério da Economia, em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), com apoio da CNI e de associações setoriais da Indústria, segundo o qual o chamado “Custo Brasil” consome R$ 1,5 trilhão das empresas brasileiras anualmente. “Isso reduz a produtividade e a competitividade do setor produtivo”, afirmou o presidente da CNI, lembrando que a indústria brasileira representa 20,4% do PIB, paga 33% dos impostos federais e 41% dos impostos estaduais, enquanto outros setores pagam apenas 2%.

“É preciso fazer, urgentemente, uma reforma tributária ampla. Se isso não ocorrer, o Brasil vai continuar com o crescimento pífio ocorrido na última década. Precisamos ter o sentido da urgência, da pressa e de necessidade, precisamos atacar de frente esse problema, se melhorarmos a questão do trabalho, do emprego e do desenvolvimento, vamos ter mais recursos para aplicar na saúde, educação e inovação”, concluiu Robson Andrade.

“Brasil precisa fazer dever de casa”, diz economista

Em sua participação no debate, a economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi, afirmou que o Brasil tem que fazer o dever de casa. “O país tem que entender suas restrições e temos que fazer o mais correto, do ponto de vista das políticas públicas, da melhoria das contas públicos, do papel do setor privado, e da melhoria do ambiente de negócios. Temos que ir nessa direção persistentemente”, afirmou.

Entre os desafios para a economia no pós-Covid, Ana Paula Vescovi afirma que o Brasil entrou na pandemia com uma situação fiscal frágil. Ela lembra que o Brasil estava enfrentando o ajuste das contas públicas e o próprio mundo convivia com alguns países com taxas de juros muito baixas e até negativas e um debate sobre estagnação secular, um excesso de poupança sob demanda de investimentos.  

De acordo com a economista, o Brasil entrou em uma pandemia, que demandou uma presença maior do Estado e, por isso, a dívida pública, que era um pouco acima de 75% do PIB , subiu 15 pontos percentuais. “A trajetória de crescimento da dívida, por si só, revela um conjunto de problemas que nós temos: acertar as contas públicas e fazer a economia ser mais dinâmica, aumentar a produtividade para que ela possa crescer mais no longo prazo, e para isso precisamos realmente lidar com essa questão do ambiente de negócios”, explicou a economista.  

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