A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 15.5): “Tropa de choque” bolsonarista na CPI do Genocídio é exatamente o que o bolsonarismo é, uma lorota

  • Começou a circular nos últimos dias, após o desastrado (ou desastroso), mas revelador, depoimento do ex-chefe da Comunicação do governo de Jair Bolsonaro à CPI do Genocídio, no Senado, a tese de que o Planalto articula uma “tropa de choque” para derrubar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) da relatoria dos trabalhos. É lorota. Sobretudo porque a gestão não tem força política para sustentar uma blitzkrieg que resulte em obstáculos para a oposição. Apenas dois integrantes da CPI se destacam entre os situacionistas – o cearense Luís Eduardo Girão (Podemos, na foto abaixo, com o deputado federal Wagner Sousa) e o paranaense Marcos Rogério (DEM). A isso se soma o fato de que a base bolsominion já era inexpressiva minoria desde o início dos trabalhos. E também se deve acrescentar a recorrente evasão de parlamentares do batalhão de Bolsonaro das oitivas realizadas – uma autêntica fuga em massa, uma debandada.
Em vídeo, Capitão Wagner cola Eduardo Girão a Bolsonaro e pede votos para a  dupla - Focus.jor | O que importa primeiro

Zoada
A situação está tão aperreada, como se diz no Nordeste, que o filho do presidente da República, Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, precisou ir à sala de reuniões bater boca com Renan e tentar intimidar os procedimentos. Não deu certo. Primeiro, porque Renan não leva desaforo para casa – é um sobrevivente das eras Collor, FHC, Lula, Dilma e Temer que já provou ter o couro grosso para aguentar pancadas. Depois, porque Flávio tem o rabo preso. E teve de engolir, em redes nacionais de TV, mais uma menção ao esquema de rachadinha no gabinete que mantinha quando era deputado estadual fluminense. Bateu, levou e foi chorar no ombro do pai.

Desventuras em série
Não há como negar que a fala de Fábio Wajngarten foi trágica para o bolsonarismo – aliado de primeira hora da família presidencial, o advogado lobista alçado a posto estratégico na Comunicação da Presidência da República. No entanto, não há também como avaliar que Wajngarten espantou alguém. Ele foi flagrado mentindo em diferentes passagens. Também foi espinhosa a fala, acompanhada de documentos e informações constrangedoras, do gestor do laboratório Pfizer no Brasil, Carlos Murillo. Sobraram confirmações de que o governo Bolsonaro – destacando-se entre os nomes de proa o do próprio presidente da República e o do ministro da Saúde de então, Eduardo Pazuello – se recusaram sistemática e peremptoriamente a dar respostas, nem que fossem negativas, à empresa farmacêutica.

Com tratores

Gleisi é favorita para continuar na presidência do PT

Manifestação da deputada federal petista Gleisi Hoffmann (PR, acima) nas redes sociais: “Base bolsonarista está disposta a destruir o país na tratorada. Amordaça a oposição, acaba com licenciamento ambiental, cria comissão do voto impresso na calada da noite e a presidência da Comissão de Constituição e Justiça quebra acordo para tentar votar reforma administrativa de uma hora pra outra”. Gleisi é presidenta do PT.

Não escapa ninguém
A propósito, não espanta que a oposição não perca oportunidade para espicaçar o governo de Jair Bolsonaro. Mas é de surpreender que nem mesmo aliados do presidente da República deixem passar chance de questionar os rumos que o Planalto deu à vida e à economia nacionais. É o caso de empresas produtoras, distribuidoras, importadoras, revendedoras e transportadoras de combustíveis. Juntos, os CNPJs do segmento – dos maiores aos mais modestos – somam cerca de 200 mil no País. Grande parte apoiou Bolsonaro na campanha de 2018. Imagine o quanto de empregados diretos e indiretos estão relacionados a essas atividades.

Custos
Trecho de nota das entidades dos combustíveis sobre mudanças nas composições de produtos ambicionadas por Bolsonaro e auxiliares: “A evolução do percentual de mistura implicará maiores custos para o transporte de cargas e de passageiros e consequente aumento de preços de produtos para toda a sociedade. Também lançará o país em um cenário de estagnação tecnológica, impactará no desenvolvimento da indústria automotiva e de equipamentos e comprometerá a prestação de serviços”.

Pega o dicionário!
Mais – com uma série de palavras que Bolsonaro nenhum compreende: “Os problemas de cristalização, higroscopia, baixa filtrabilidade e formação de borras do biodiesel, que já ocorrem com a mistura atual, associados aos recentes aumentos de teor compulsório, têm provocado danos a máquinas e motores; diminuição da vida útil; e baixa performance de equipamentos, além de aumento dos custos de manutenção e prejuízos aos mais diversos setores da economia e seus consumidores. Além disso, deve-se considerar os impactos ambientais de descarte mais frequente de produtos perigosos contaminantes como borra, filtros, peças mecânicas, entre outros”.

“Compromisso”
Sim, os produtores, distribuidores, importadores, revendedores e transportadores se dizem preocupados com a qualidade ambiental, com os bens e com o bolso dos consumidores. Não passa nem na esquina do Planalto atentar para questões assim. E finalizam as entidades, como numa ironia disparada contra o governo federal: “Reiteramos nosso compromisso com a preservação ambiental no país e apoiamos a diversificação da matriz de combustíveis renováveis por meio do enquadramento regulatório de biocombustíveis avançados no mercado nacional, em benefício da sociedade, do meio ambiente, dos diversos segmentos econômicos e do consumidor”.

Guardião

Presidente do Malce Osmar Diógenes recebe Medalha Boticário Ferreira

Afiado, afinado e refinado orador, o ex-deputado estadual Osmar Diógenes (foto) – hoje presidente do Memorial da Assembleia Legislativa do Ceará, que homenageia outro parlamentar de relevo na história da Casa, o médico Pontes Neto – se destacou no marco dos 44 anos do plenário 13 de Maio, referência da instituição e da democracia no Ceará. Osmar é definido pelo presidente, Evandro Leitão (PDT), como “guardião da história do Legislativo cearense”. Pode-se ir até mais longe, sem risco de excesso: Osmar Diógenes é guardião de parte expressiva da história do Ceará.

Tremei!
E o Comitê de Prevenção e Combate à Violência, da Assembleia Legislativa do Ceará, fez ontem webnário intitulado “Feminicídios de adolescentes nas dinâmicas da violência urbana: Interseccionalidade de raça, gênero e classe”. A pauta é de fazer tremer direitistas: soma jovens, negros e mulheres. E direitos humanos.

A hora e a vez

Idealizadora do TrateCov hostilizou cubanos e ajudou a desmontar Mais  Médicos

A médica cearense Mayra Pinheiro, que se fez conhecida pelo apelido sombrio de “Capitã Cloroquina”, vai ser chamada a depor na CPI do Genocídio e explicar, tintim por tintim, como foi a incursão que fez com dinheiro público para espalhar no Amazonas a prática condenável de ministrar a pacientes da covid-19 remédios sem eficácia comprovada. Antes de se tornar uma bolsominion furiosa, Mayra era tucana de bico duro: cuspiu em médicos cubanos e foi candidata a senadora pelo PSDB do Ceará.

Coluna da Hora
Recebi na última terça-feira, na live semanal Coluna da Hora, no Instagram (@robertoamaciel), o presidente da Central Única das Favelas (Cufa). O rapper, articulador social e escritor Preto Zezé abordou aspectos da luta contra a fome, que 20 anos depois da Ação da Cidadania do sociólogo Herbert de Souza (Betinho) reedita um esforço de entidades civis para garantir comida para os mais pobres. Confira abaixo:

Podcast
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