Números indicam recuperação do setor de alimentos, após período crítico de restrições

Os números assustadores do desemprego impostos pelas políticas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes, que não apontam caminhos para a recuperação da economia brasileira, revelam um cenário desolador. O País deverá ficar, em 2021, com a 14ª maior taxa de desemprego do mundo, sendo que em 2020 esteve na 22ª colocação no ranking mundial dos países com os piores patamares de desocupação. A informação está em levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating, produzido com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia global. 

O Brasil já amarga um índice de 14,2% de desemprego, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente ao trimestre encerrado em janeiro. Esta é a maior taxa já registrada para o período desde o início da pesquisa. São 14,3 milhões de pessoas em busca de recolocação, sendo que há um ano eram 11,9 milhões. Entretanto, o setor de alimentação apresentou crescimento em 2020, ainda que menor na comparação com 2019.  Pesquisa da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) divulgada em fevereiro revela que o setor registrou crescimento de 12,8% no faturamento em relação a 2019, atingindo R$ 789,2 bilhões, somadas exportações e vendas para o mercado interno. Em 2019, foram R$ 699,9 bilhões. Descontada a inflação do período, a indústria de alimentos obteve aumento real de 3,3% das vendas no ano passado. 

O empresário dono da marca de recipientes de fast-food, a Global Embalagens e das máquinas de açaí na forma de sorvete Just In Soft, Carlos Henrique Siqueira, atribui os resultados a um aspecto muito simples: ninguém deixa de comer, mesmo na crise. Mesmo que o público mude os hábitos de consumo ou que precise reduzir as compras, a alimentação é o item mais essencial. “As pessoas deixam de consumir produtos supérfluos, mas não deixam de comer, por isso esse segmento está cada vez mais em ascensão”, afirma Siqueira. Ele abriu a Global Embalagens justamente durante a pandemia, em abril de 2020, e saiu de uma venda mensal de 100 mil embalagens no primeiro mês para os atuais 2 milhões mensais.

Apesar de seu negócio estar relacionado à parcela mais afetada do segmento de alimentação — de acordo com a ABIA, o Food Service (alimentação preparada fora do lar) foi impactado diretamente pela pandemia e recuou 24,3% em 2020  — o empresário conseguiu se manter com as duas empresas e até aumentar as vendas da Global Embalagens. Durante o confinamento cresceu o serviço de delivery e, com isso, a necessidade de embalagens descartáveis para os alimentos. 

Carlos Henrique se inseriu em um nicho que apresentava uma demanda reprimida: embalagens biodegradáveis. Seus potes, copos e sacos produzidos são de papel, portanto, mais ecológicos, o que atende a uma demanda do setor de alimentação pronta, que vem abolindo o plástico, seja por preocupação dos empresários e dos consumidores, seja por leis regionais contra o material. Ele tem clientes em diversos estados e, recentemente, fez uma exportação para o Paraguai. Já as máquinas de açaí na forma de sorvete, a marca Just In Soft, sofreram impactos negativos, apesar de não serem expressivos, de acordo com Siqueira. 

O motivo da queda é o fato de o equipamento atender a negócios que lidam diretamente com o público, muitas vezes direto para a rua. Entretanto, Carlos Henrique é otimista. “Basta o movimento voltar para as ruas que as coisas irão se normalizar e a nossa demanda vai aumentar mais ainda, da mesma forma que o delivery não deverá diminuir”, afirma. A expectativa dele vai ao encontro das projeções da ABIA. A entidade prevê recuperação para o Food Service: a estimativa é fechar o ano com um movimento de recuperação, podendo chegar a 30% de participação nas vendas totais da indústria, próximo ao patamar de 2019. Carlos Henrique acredita que o setor de alimentação é promissor, independentemente do cenário: “é uma área que vem crescendo e tem espaço para crescer mais”.

Deixe uma resposta