Projeto Mulheres Protagonistas fortalece trabalho feminino nas empresas

Criada, totalmente composta e gerenciada por mulheres, a Essence Branding entrou no mercado de gestão de marcas há três anos e ao longo da trajetória foi incorporando aos propósitos a necessidade de estimular a participação feminina no mercado corporativo. Não só porque isso, em âmbito social, confere igualdade de gênero, mas também pelas evidências de que a liderança conduzida por mulheres serve também como um propulsor da economia como um todo. Para tanto, as gestoras da empresa criaram o projeto Mulheres Protagonistas para ajudar outras empresas a impulsionar a participação e ascensão desse público nos empreendimentos.

Para contextualizar a necessidade de se olhar para essa questão, até mesmo de um ponto de vista estratégico, Maria Brasil, a fundadora e CEO da Essence Branding, apresenta um dado da Organização das Nações Unidas (ONU). “Segundo aponta a instituição global, em relação à rentabilidade, a maioria das empresas que adotam a diversidade de gênero na sua liderança relataram crescimento de 10% a 15% em sua receita”, explica.

Em contrapartida, ao voltar a atenção para a realidade do que acontece em solo nacional, há muito a se avançar, tendo por base levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Segundo ela, o home office evidenciou a centralização do papel da mãe como cuidadora dentro da família: “Todos sabiam disso, mas com a pandemia, foi escancarado”.

De acordo com dados do IBGE, dentre as pessoas que trabalham em empregos formais, as mulheres dedicam em média 18,5 horas semanais aos trabalhos domésticos, enquanto os homens apenas 10,3 horas “A taxa de desocupação das mulheres durante a pandemia foi 37,8% maior do que a dos homens, ainda conforme o instituto”, afirma.

Conta a CEO que houve um aumento da sobrecarga de atividades sobre o grupo feminino, fato que teve consequências ainda na disposição mental das mulheres, com menos tempo para se dedicar ao trabalho remunerado. “Tal resultado tem raízes profundas em uma questão estrutural, de uma sociedade contemporânea que foi construída a partir do trabalho doméstico feminino e da desvalorização desse trabalho”, explica Gisele Dias, também da Essence Branding, onde atua como Gestora de Encantamento e Relacionamento com a Equipe.  

No entanto, as duas concordam que já está em marcha um movimento de mudanças, em parte estimulado pela pressão popular, manifestada (e promovida) em especial nas redes sociais para a efetivação da diversidade nas companhias.

Com o projeto Mulheres Protagonistas, Gisele e Maria procuram atingir públicos distintos e complementares: empresas e colaboradoras. A união desses dois lados, por meio da estrutura proposta com a iniciativa, procura tanto auxiliar as empresas a melhorar os seus resultados, preparando e retendo os seus talentos femininos, quanto levar o público feminino a se conectar com todo o seu potencial, deixando assim um legado de que possa se orgulhar.

Para as companhias, ambas deixam algumas dicas. São elas: promover políticas efetivas de promoção da equidade, por exemplo, ao estabelecer critérios diferentes para a promoção de homens e mulheres; ter cotas de, pelo menos, 30% a 50% de mulheres em cada setor para que a voz e o posicionamento femininos possam efetivamente serem ouvidos; promover políticas internas de conscientização sobre os preconceitos de gênero e ter canais de denúncia anônimos em caso de assédio no ambiente de trabalho; e ainda observar o recorte interseccional dentro das contratações de mulheres e verificar quantas profissionais negras foram contratadas para aquelas funções e buscar no mercado, intencionalmente, pessoas dentro desse recorte qualificadas para esses postos.

Essa visão já foi repercutida dentro de grupos empresariais como a fabricante de equipamentos agrícolas CNH Industrial e a Cooperativa de Crédito Sicoob, além de outras centenas de médias e pequenas empresas. Gisele explica que as medidas sugeridas não necessariamente demandam investimento financeiro, mas exigem principalmente a intenção e o redirecionamento das políticas internas para a promoção efetiva da equidade.

Agora, para as mulheres, o que indicam é essencialmente autoconfiança e originalidade. “Talvez a única coisa que as mulheres ainda podem fazer para si mesmas é pararem de se modelar de maneira absoluta nos modelos de liderança masculinos e desenvolverem autoconfiança de que o jeito delas é um jeito eficiente e autêntico de liderar. E que é possível continuar conquistando novos espaços sendo elas mesmas”, assevera a CEO Maria Brasil. Transformar a realidade da mulher profissional no Brasil, assegura, depende ainda de ações públicas, que podem ser baseadas nas estatísticas já existentes.

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