A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 25.5): Mayra Pinheiro não estará sozinha na CPI do Genocídio

  • Fuja da tentação de achar que a médica Mayra Pinheiro é engraçada. Embora haja muitos memes e outras ironias circulando nas redes sociais, a “Capitã Cloroquina” passa longe de provocar risos. Pediatra e secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, ela é uma agressiva e furiosa defensora de teses que são consideradas ameaçadoras para a vida humana – e essa não é uma consideração minha, mas de cientistas que, por exemplo, condenam a utilização de medicamentos como hidroxocloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. Dizem esses técnicos que ministrar esses produtos, indicados para outras doenças, pode levar uma pessoa a óbito. Mas é importante ressaltar: apesar da virulência com que se conduz, a médica tem quem a apoie.

Criador e criatura, cara-a-cara
Hoje (terça-feira, 25.5), Mayra Pinheiro deve comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada pelo Senado para investigar ações e omissões do governo de Jair Bolsonaro na pandemia da covid-19. Um dos integrantes da comissão é o senador cearense Tasso Jereissati. Em 2018, quando se candidatou a uma vaga ao Senado, pelo PSDB, Mayra contou com o apoio escancarado do tucano Tasso. Mas não conseguiu êxito – foram eleitos Cid Gomes e Luís Eduardo Girão. A médica deixou a disputa afagada por uma coleção de elogios de Tasso Jereissati e, a convite de Luiz Henrique Mandetta, desembarcou lépida e fagueira no cargo que ocupa ainda hoje no Ministério da Saúde de Jair Bolsonaro. A formação política dela é bancada pela Fundação Lemann, que tem entre os orientandos o apresentador Luciano Huck e a deputada federal Tábata Amaral (PDT-SP).

Histórico
No currículo que Mayra Pinheiro construiu, constam cusparadas em colegas cubanos integrantes do programa Mais Médicos, ataques violentos à moral da respeitada Fundação Fiocruz (no link abaixo), a defesa desvairada do “tratamento precoce” contra a covid-19 (no segundo link) e a tentativa de abafar a crise do oxigênio no Amazonas.

A propósito da brutalidade cometida por médicos brasileiros contra médicos cubanos, vale conferir comentário feito em 2013 pelo jornalista Bob Fernandes.

A “Capitão Cloroquina” tem torcida
Ainda assim, é certo que tem apoio na categoria a que pertence. Há médicos e médicas simpáticos à causa e à postura de Mayra. Muitos a acompanharam nos ataques a cubanos, outros aplaudem a certeza com que divulga a cloroquina. Outros, por fim, têm empatia e simpatia por ela, além de se alinharem politicamente ao que o presidente da República e a secretária do Ministério da Saúde pregam. Saiba, então: Mayra Pinheiro, vulgarmente chamada de “Capitã Cloroquina”, vai à CPI sob pressão e escudada por uma decisão do STF que a permitirá silenciar diante de certas perguntas. Mas ela não está só.

É de cair o queixo
A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados já tem oficializado um dado estarrecedor: 19 milhões de brasileiros encontram-se em situação grave em relação ao acesso à alimentação. É fome e das brabas. Deve-se destacar que, além de morrer por falta de vacinas contra a covid-19 ou sem políticas de distribuição de renda, a população está sendo extinta pela mais absoluta falta de comida. A informação foi formalizada por entidades da sociedade civil em audiência pública na semana passada.

Da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC): “Alguém já viu Bolsonaro divulgar agenda visitando hospitais? Discutindo o desemprego, a fome, a volta segura às aulas? Só vejo ele divulgar churrascos, passeios a cavalo, de moto, de jet ski… aglomerando sem máscaras… Irresponsável! O Brasil não merece isso!”

Circulando
Soma R$ 4,9 milhões o investimento público, com dinheiro da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado, para garantir a circulação até o fim de junho de 200 ônibus das frotas de transporte público na cidade. A medida é destacada como alternativa para prevenir aglomerações.

A culpa é dos outros

Morte pelo Covid-19 e o Pagamento da Indenização do Seguro de Vida - J.  Salamone


A partir desta semana, professores das redes de ensino pública e privada de Fortaleza poderão ser vacinados contra a covid-19. Já não era sem tempo. Exemplo dramático é o do Colégio Christus. Morreram no último mês quatro professores de lá, além de uma professora que trabalhava no centro universitário daquele grupo empresarial – que inclui uma faculdade de medicina, a qual, por coincidência ou não, emprega a “Capitã Cloroquina”. A direção até divulgou nota lamentando as perdas e dizendo que não tinha nada a ver com aquilo.

Saúde
Está prevista para junho a instalação do Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil da Assembleia Legislativa do Ceará. A unidade vai dar assistência especializada para crianças com Transtorno do Espectro Autista e com Síndrome de Down. O Centro Inclusivo resulta de projeto de resolução da Mesa Diretora.

Futuro
É pertinente reforçar que subnutrição tem efeitos imediatos, mas causa repercussões em médio e longo prazos. Gerações inteiras sofrem sequelas da fome.

Em foco


Recebo hoje, na série de lives Coluna da Hora, que realizo no Instagram (@robertoamaciel), o vereador de Fortaleza Guilherme Sampaio (PT), ex-secretário da Cultura do Estado e ativista da Educação. Nosso encontro começa às 18 horas.

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