A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 29.05): A favela reage

  • As comunidades das principais favelas do Brasil firmaram um pacto com o empreendedorismo. É isso o que indica pesquisa do instituto Outdoor Social Inteligência, especialista na classe C. Diz o levantamento que há mais de 289 mil comércios registrados nas mais de 6 mil comunidades no País. O bloco liderado pelas favelas com maior potencial econômico, o chamado “G10”, reúne 125 mil empresas com CNPJ ativos, correspondendo a 43,5% do total. O Outdoor Social perguntou se os entrevistados perderam dinheiro desde o início da pandemia. Pois bem: em 2020, 88% disseram que sim. Já em 2021, esse número caiu para 75%. Dos 25% que disseram não terem diminuído o faturamento na pandemia, as soluções adotadas foram ampliação na variedade de produtos, com 51%; seguida de entregas à domicílio, com 47% e vendas e divulgações por meio das redes sociais com 45%. Infelizmente, 16% dos empreendimentos somaram perda em 2020, enquanto em 2021 esse número foi reduzido para 3%. O Ceará participou da sondagem por intermédio do bairro do Pirambu.
Chacina do Jacarezinho não foi uma 'operação policial' qualquer - Lado B do  Rio

O troco
Note-se que a reação econômica se dá em campos diferentes, ambos com o mesmo nível de relevância. Não é, portanto, nenhum arranjo modernoso. Um é o do necessário apoio financeiro que os brasileiros precisam ter do governo – e isso não ocorre. O outro é o da identidade social que se necessita fortalecer, frentemente abalada pela violência de milícias e, num polo distinto, mas sempre preocupante, das polícias. O caso da comunidade do Jacarezinho (acima), alvo de sangrenta ação da PM e da Civil do Rio de Janeiro, que levou o Brasil mais uma vez às manchetes negativas da Imprensa internacional, demonstra isso com clareza.

Saúde
O mês de junho tem uma perspectiva política bem interessante. É a que se define com a instalação do Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil da Assembleia Legislativa do Ceará, determinada por um projeto de resolução da Mesa Diretora. O encaminhamento é profundamente político, pois diz respeito à inclusão social e ao respeito humano, com ênfase especial em crianças e suas famílias. O novo serviço dará assistência especializada à meninada com Transtorno do Espectro Autista e com Síndrome de Down.

Temporada
O Tribunal de Contas do Estado do Ceará espichou até o fim de junho o Plano de Contingenciamento de Despesas. Trata-se de uma série de medidas para manter o equilíbrio orçamentário e financeiro da instituição, considerando as necessidades especiais impostas pela pandemia. A decisão foi assinada pelo presidente do TCE, conselheiro Valdomiro Távora.

No quadro

Bolsonaro publica vídeo de aluna que gravou professora; o que diz a lei? -  29/04/2019 - UOL Educação


O Instituto Municipal de Desenvolvimento de Recursos Humanos lançou seleção pública de professores substitutos para a Prefeitura de Fortaleza. Estão sendo ofertadas 5.098 vagas, com formação de cadastro de reserva. Nestes dias de pandemia e distanciamento social, a tecnologia fala mais alto: as inscrições serão feitas exclusivamente pela Internet, até 15 de junho. O endereço é https://concursos.fortaleza.ce.gov.br.

461 mil mortos: isso é que é estar longe da normalidade
Num discurso de tons ora ameaçadores, ora persecutórios, o presidente Jair Bolsonaro falou a um pequeno grupo de militares no Amazonas. Disse ele que o Brasil está “longe da normalidade”. Bolsonaro, embora da forma enviesada e tosca que marca o pensamento que exprime, tem até certa razão. Afinal, um País em que a fome atinge cerca de 20 milhões de pessoas, onde há mais de 14 milhões de desempregados e, acentuando a gravidade, onde mais de 461 mil pessoas morreram vítimas da covid-19 – algumas pela falta de vacinas e pela recusa do governo de comprá-las – e onde não há perspectiva de correção dos rumos da economia não está, defintivamente, em padrões que se pode considerar “normais”. Detalhe: os arroubos do presidente se acentuam quando sondagens revelam que 59% da população são favoráveis à retirada dele do poder.

Rejeição
Até aí, pode-se perceber um par de elementos revelantes e reveladores. O primeiro dá conta do incômodo político de Bolsonaro – nada afeito à democracia, formado nos mais sombrios ambientes da ditadura dos militares, o presidente da República tem exibido rejeição grave à CPI que apurar no Senado os atos e as omissões do governo no que diz respeito à pandemia. Tem constantemente, por si ou por meio de prepostos, atacado quem questiona alguma situação relacionada à gestão dele em relação à ineficiente política de saúde; o segundo descortina não apenas a verve autoritária do ex-capitão, mas a incapacidade que tem de tratar com os mais básicos rudimentos constitucionais. Assim, ele flerta despudoradamente com grupos que defendem, por exemplo, uma paradoxal, “intervenção militar constitucional”.

Sem surpresas
Não é de espantar que Jair Bolsonaro se chegue aos militares em seus episódios de fúria anti-democrática. É com esse recurso que, imagina, ao menos assustaria aqueles que temem regimes endurecidos e embrutecidos. Protagonistas do golpe civil-militar que mergulhou no Brasil no atraso, na violência e na perseguição por 21 anos (1964-1985), as Forças Armadas ainda têm sua imagem relacionada a um quadro inóspito. Foi nessas mesmas instituições que, a partir de 2013, começou a ser chocado o ovo do qual eclodiram o bolsonarismo e os bolsonaristas. A questão, porém, é saber se os bons militares vão se deixar seduzir por uma retórica retrógrada, arrematada por teses malucas construídas na cabeça de um mal-educado redator de horóscopos que se diz “filósofo”. Uma falação alinhada pelo negacionismo, pela misoginia, pelo racismo e pela criminalização da pobreza. Os quartéis, onde há quem reconheça os danos impostos à Nação pela aventura da exceção, estariam interessados em enfrentar mais uma vez o descrédito do cidadão? Teriam a intenção de barrar novamente a educação e a cultura? As liberdades sociais?

Telinha
A minha série de lives Coluna da Hora recebeu terça-feira última (25.5), no Instagram (@robertoamaciel), o vereador de Fortaleza Guilherme Sampaio (PT). Ex-secretário da Cultura do Estado e ativista da Educação, Guilherme anuncia que está cumprindo o quinto e último mandato na Câmara Municipal. Confira aqui:

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