A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 3.6): Senador nenhum precisa ser imparcial, mas tem de ser ético e democrático

  • Não escapa aos olhos de ninguém, independentemente do tom partidário: os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito que apura atos e omissões do governo de Jair Bolsonaro no combate à covid-19 são parciais. Todos. Os oposicionistas não deixam passar oportunidades de triturar depoentes de tendências bolsonaristas. Os governistas se esforçam para atacar os que questionam o Planalto. Em que isso está errado? Em ponto nenhum. A política é assim mesmo. Ninguém está obrigado a ser imparcial, anódino, insípido e inodoro. Cada um daqueles senadores tem uma filiação partidária, doutrina, um tipo de compromisso com certas fatias do eleitorado. O que não se pode ser é desleal, traiçoeiro, ameaçador. Isso não. No fim das contas, cobrar imparcialidade em uma CPI pode não ser exatamente um gesto de ignorância, mas sempre haverá de ser uma baixeza que investe na ignorância.

Otto em todos os sentidos
O comentário acima tem a ver com um episódio que serviu para medir sentimentos e comportamentos na CPI. Quarta-feira última, o senador baiano Otto de Alencar (PSD, foto abaixo) abriu mão de fazer pergunta à infectologista Luana de Araújo em troca de um esclarecimento. Bombardeado por militantes bolsonaristas em decorrência da forma incisiva com que havia questionado a também médica Nise Yamaguchi no dia anterior, Alencar discorreu longamente sobre posturas técnicas e éticas. Apontando excessos e provocações do colega Marcos Rogério (DEM-RR), o baiano disse ter sido até ameaçado em redes sociais – algo admissível para brigas de quadrilhas e nunca para um trato parlamentar. E, por fim, Otto afirmou que não vai abandonar o front. Faz bem.

CPI Covid: Otto Alencar critica atuação de Bolsonaro na pandemia

Reflita
É aí que proponho ao leitor e à leitora uma reflexão sobre respeito e lealdade. Não se trata de deixar conceitos de lado, mas de admitir diferenças. Não se trata de fechar a porta da sala da CPI e deixar lá dentro os descontentamentos, as dúvidas e as divergências. É, sim, de tratar com substância democrática o direito dos demais. Não é necessário distribuir flores, paz e bem. Não é isso o que se sugere. O indispensável é, antes de tudo, reconhecer as regras do jogo e ingressar no campo da convivência humana.

Origem
Logo no início dos trabalhos, o senador Flávio Bolsonaro, misto de filho, preposto e aríete do pai, entrou na sala para xingar de “vagabundo” o colega alagoano Renan Calheiros, relator da comissão. Logo Flávio, envolvido com “rachadinha” e milícias. Mas, mesmo considerando imperdoável esse tipo de situação, deve-se observar o que costuma fazer o pai dele. Jair já chamou jornalistas de “quadrúpede” e “idiota”, já classificou adversário como “energúmeno”, já cuspiu e ameaçou estuprar colegas. Está explicado, então.

Verde…

Vista do Parque do Cocó, Fortaleza, CE | Parque estadual, Fortaleza, Parque


A área do Parque Estadual do Cocó cresceu, pelo menos no papel. O governador Camilo Santana e o secretário Artur Bruno assinaram o decreto que acrescenta 10 hectares ao parque, passando de 1.571 ha para 1.581 ha. A iniciativa marca o mês do Meio Ambiente. Fala de Camilo: “É uma unidade que vai além do município de Fortaleza. É um grande patrimônio e o estamos ampliando em mais 10 hectares. É uma área de Dunas que estamos incorporando ao Parque do Cocó”.

…Que te quero verde
E a Assembleia Legislativa também deu suas cotas ao tema ambiental. A Casa aprovou projeto do Executivo que redefine os limites da área de proteção ambiental do Estuário do Rio Ceará, que é uma Unidade de Conservação Estadual. O texto foi aprovado com duas emendas, uma do Poder Executivo – que assinou a proposta – e outra do deputado Júlio César Filho (Cidadania). Para completar, a AL votou a favor de matéria que dispõe sobre a Política de Regularização Fundiária Rural no Estado do Ceará. Essa teve mais alterações: nove emendas aditivas e cinco modificativas.

Nem eu
Ouvidos ontem (quarta, 2.6) pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, especialistas acusaram episódios de violência policial em ações de reintegração de posse, omissão governamental diante da grilagem de terra e paralisação dos processos de reforma agrária. Dizem que esse elenco de políticas graves estão entre as causas do agravamento dos conflitos no campo. Ou seja, é a tal da “violência estatal” florecendo de norte a sul – em geral contra despossuídos, como sói acontecer. Sabe de algum caso em que se agiu com força contra garimpeiros ilegais ou madereiros delinquentes? Não? Nem eu.

Festa, mas sem aglomerar

Na abertura dos trabalhos da Câmara, Sarto anuncia Nossas Guerreiras, maior  programa de microcrédito da história de Fortaleza


Começa domingo próximo (6.6), em Fortaleza, a vacinação da população de forma escalonada por idade. Ou seja, para todos. A aplicação do imunizante será feita por agendamento, em ordem decrescente de idade, iniciando com os de 59 anos, avançando até os que têm 18 anos. Fala do prefeito José Sarto (PDT): “É uma notícia fantástica (…). Fortaleza já é uma das capitais do Brasil que vacina mais rápido. O Estado do Ceará é um dos que mais vacinam também e vai chegar nos primeiros lugares. Domingo será um dia de grande festa”. Tá bom, mas sem aglomeração, né?

Coluna da Hora
Recebi terça-feira passada, (1.6), no Instagram (@robertoamaciel), o médico e pesquisador João Flávio Nogueira, um craque na História de Fortaleza. Foi na série Coluna da Hora. Você pode conferir a entrevista abaixo:

Podcast
Todas as entrevistas da Coluna da Hora também estão disponíveis em podcasts nas principais plataformas de áudio. Você pode escolher os conteúdos e as plataformas:

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GOOGLE https://www.google.com/podcasts?feed=aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy81Nzk0NGNlMC9wb2RjYXN0L3Jzcw==

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