Aumento das demissões nas micro e pequenas indústrias atinge o pior resultado dos últimos dois anos

Havia quase dois anos que as micro e pequenas indústrias não registravam números de emprego tão ruins. O setor, que a partir de julho de 2019 vinha reportando aumento na abertura de vagas, segue demitindo mais do que contratando desde o início da pandemia. As informações são do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria, realizado pelo Datafolha, a pedido do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi).

O índice de contratações, que varia de 0 a 200, teve queda de 95 para 90 pontos entre março e abril, o pior resultado do ano. Registros abaixo de 100 pontos apontam para perda de postos de trabalho, ou seja, mais demissões do que contratações. Veja o gráfico abaixo:


Considerando o atual cenário de incertezas, com o alto custo de produção e queda no consumo, a expectativa é de aumento no desemprego nos próximos meses para 69% das micro e pequenas indústrias consultadas na pesquisa. Também o maior índice de pessimismo registrado nos últimos cinco anos.

Insatisfação do empresário com os negócios

O índice de satisfação das micro e pequenas indústrias no Estado de São Paulo mostra o pior resultado de 2021. Em janeiro alcançou 126 pontos, indicando otimismo, mas voltou a cair, revelando a pior nota dos últimos quatro anos. Importante salientar que 42% das MPI’s de todo Brasil estão em São Paulo.

Realidade das vendas abaixo da expectativa

Em relação ao resultado das vendas nas micro e pequenas indústrias, o montante registrado ficou abaixo do esperado para 68% dos entrevistados. Para 25% está dentro do esperado e apenas 7% afirmaram que venderam acima do esperado.


Avaliação macroeconômica

Numa avaliação geral da economia do país, de acordo com a pesquisa, 64% das micro e pequenas indústrias consultadas classificam como ruim ou péssima. Para 28%, a situação é regular. E apenas 7% percebem como boa ou ótima. Em relação ao futuro próximo, 47% dos entrevistados na pesquisa acreditam que a situação econômica do Brasil vai piorar. Para 29%, ficará como está. E outros 21% acham que vai melhorar.

Inflação vai piorar

A previsão é pessimista também com relação à expectativa de inflação. Para 77% das micro e pequenas indústrias consultadas a inflação deve aumentar nos próximos meses. Este é o segundo pior resultado de acordo com a série histórica da pesquisa, iniciada em 2013.

Ainda de acordo com a pesquisa, para 18%, a inflação deve ficar como está. E 4% acreditam que vai diminuir.

Na avaliação do presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria no Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, os dados são extremamente preocupantes. “Estamos com um programa lento de vacinação em todo o país e um cenário incerto de elevação de custos e desemprego. As variantes disso são a perda de poder aquisitivo, queda no consumo e inflação elevada. A pesquisa mostra indicadores muito ruins, apontando para a necessidade urgente de medidas governamentais para manter vivas as empresas, os empregos e a atividade econômica”, afirma. Para ele, é fundamental que as empresas sobrevivam para que, após superada a pandemia, o mercado interno possa voltar a crescer.

Deixe uma resposta