O hidrogênio verde como possível elo de transição energética no Brasil

No centro do debate sobre transição energética está o desafio de produção de energia com baixa emissão de carbono até 2050, com a garantia de suprimentos de energia estáveis e acessíveis e acesso universal à energia com a possibilidade de crescimento econômico robusto. É o que apontou o relatório da Agência Internacional de Energia (IRENA, da sigla em inglês), divulgado no último dia 18 de maio. O relatório é o 1º estudo abrangente do mundo e cita fontes como a solar e a eólica em vez de combustíveis fósseis.

O Brasil tem três oportunidades de uso do hidrogênio verde, que são basicamente: a produção de aço verde, de eletrocombustíveis – colocando o país em posição de competitividade na exportação para a Europa -, e na produção da amônia verde. Foi o que apontou o webinar realizado nesta semana pela Fundação Heinrich Böll e pelo Instituto E+ Transição Energética, com apoio da Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil, epbr e Estratégia ESG.

Dentre os desafios apresentados para a eficaz transição energética no país, está a descarbonização, com consequente diminuição dos gases de efeito estufa (GEE). E como o elo faltante para essa meta, surge o hidrogênio verde, obtido por eletrólise da água a partir de fontes renováveis. A combinação de preços decrescentes para energia solar e eólica e economias de escala para eletrolisadores pode aumentar a competitividade relativa do hidrogênio verde, gerando oportunidades e desafios para o Brasil.

“O hidrogênio verde pode ser uma potência descarbonizadora para o mundo. O Brasil pode ajudar a fazer a descarbonização das matrizes de outros países de forma mais eficiente. Porém, a produção de hidrogênio verde ainda tem um alto custo, sobretudo dos eletrolisadores. O Brasil já teria como estar em posição mais competitiva em geração de renováveis, como no caso das energias eólica e solar, em abundância no nordeste do país”, diz o diretor-executivo do Instituto E+ Transição Energética, Emilio Matsumura.

Entretanto, da mesma forma que gera oportunidades, o hidrogênio verde também apresenta desafios e questionamentos sobre possíveis impactos ambientais e sociais. O alto consumo de água para a eletrólise é um exemplo. É preciso de cerca de 9 litros de água doce para produzir 1 kg de hidrogênio (e 8 kg de oxigênio).

As principais razões para os usos atuais do hidrogênio estão em sua versatilidade química e alta reatividade. O hidrogênio é um gás leve e de altíssimo poder calorífico. A energia contida em 1 kg de hidrogênio equivale a 2,84 kg de gasolina e 12 kWh de energia elétrica, o que equivale à energia armazenada por 30 baterias de 12V. Apesar dessa vantagem, a baixa densidade do gás dificulta o armazenamento e transporte, representando grandes desafios para seu uso como vetor energético universal.

“Porém devemos pensar que mesmo o hidrogênio verde tendo sua produção feita por uso de água, energia eólica e solar ou mesmo pela biomassa, é importante avaliar os possíveis riscos de impactos ambientais indiretos oriundos dessas grandes plantas, como no caso das hidrelétricas, dos parques eólicos e das fazendas solares”, diz Joilson Costa, da Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil.

E quais são os caminhos que o Brasil precisa percorrer par a adoção do hidrogênio verde? Em fevereiro de 2021, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou o documento “Bases para a Consolidação da Estratégia Brasileira de Hidrogênio”, na qual apresenta um panorama da indústria do hidrogênio, seus desafios e oportunidades, bem como um levantamento do histórico de iniciativas no Brasil relativas ao tema. O documento chama a atenção para a necessidade de consolidar e formalizar uma estratégia nacional em um plano de ação do Governo Federal em hidrogênio.

“Praticamente todas as fontes de energia relevantes são ilimitadas, como a biomassa que usada em larga escala causa muito dano ecológico, as hidrelétricas, que destroem os rios. Então essencialmente temos duas fontes de energia que são renováveis, abundantes e disponíveis em todo o mundo, que são a solar e a eólica. Sendo assim é importante focar nessas fontes de energia e escala-las, para que tenham um custo menor de produção. Por essa razão é fundamental utilizar bem essas fontes, porque estamos em uma corrida contra o tempo para termos mais energia limpa e tirar do jogo os combustíveis fósseis”, afirma Jörg Haas, que chefia a Divisão de Política Internacional da Fundação Heinrich Böll.

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