A Coluna do Roberto Maciel (terça-feira, 8.6): Responsabilidade e interação social

  • A Assembleia Legislativa do Ceará está criando um Núcleo de Responsabilidade Social. A medida visa a identificar e exercer ações eficientes, socialmente responsáveis e igualitárias no entorno da AL. E isso é mais do que importante para uma instituição parlamentar – que não tem funções executivas, mas representa da forma mais plural os interesses da população. A presidência da Casa também assinou, em solenidade realizada ontem, pedido de adesão ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU). O tratado da ONU abrange objetivos de desenvolvimento sustentável. Segundo a idealizadora do projeto, Cristiane Leitão, o Núcleo integrará ações que já são realizadas na Assembleia e deve ampliá-las, estabelecendo novas ações para fortalecer as iniciativas.

Inclusão
Primeira-dama da Assembleia Legislativa, Cristiane Leitão diz que “incorporar o conceito de responsabilidade social trará aos servidores ainda mais senso de pertencimento à Instituição”. E complementa que os funcionários “se sentirão parte de algo maior, gerando significado para as atividades que realizam”.

Não deu certo
Já alertamos aqui para o risco de uma campanha publicitária, em que se misturam, de um lado, elementos do otimismo, da esperança e até mesmo de uma certa ingenuidade, com ingredientes do mais puro bolsonarismo. É a que diz #VaiDarCerto, muito visível em fachadas de estabelecimentos de defensores do governo do presidente Jair Bolsonaro e em edifícios de bairros elegantes. O risco é grave. Tem-se diante dos olhos, da realidade e das consciência uma retórica que não atenta para o mais básico sentimento de perda. Ou para o direito que os brasileiros tiveram negado de ter acesso a vacinas. E, por fim, porque passa-se um pano e se tenta apagar o ataque frontal e delituoso contra o sistema de saúde pública mais amplo e, por isso, mais respeitado do mundo: o SUS.

Outro olhar


Esta semana, uma clínica médica em Fortaleza seguiu em rumo diferente. Certamente por compreenderem que não basta esperar pela vontade do Planalto – ou que o perigo está justamente aí -, diante de um já comprovado “ministério da saúde paralelo”, os donos indicaram na fachada o que há de mais importante e que é repetidamente rejeitado por pessoas como o presidente da República e médicos que o assessoram informalmente: as vacinas.

A situação passou tragicamente do tempo de dar certo
Escrevi em 22 de maio o seguinte: “Temos – os fortalezenses, com certeza – nos deparado em estabelecimentos comerciais e em placas de propaganda nas ruas com os dizeres ‘#VaiDarCerto’. Trata-se de uma campanha um tanto desorganizada, mas abraçada com entusiasmo por muitos. E que traz a sublimar mensagem de que quase 450 mil mortos pela covid-19 ainda são sinal de que algo pode se acertar. Saiba, então: a rigor, não só não vai dar certo como já deu muito, muito errado. Quem perdeu parentes ou amigos para essa pandemia tão devastadora, que o presidente da República menosprezou e chamou de ‘gripezinha’, depois xingando de ‘idiotas’ os que adotam o isolamento social contra o avanço letal do coronavírus, pode testemunhar que a situação passou tragicamente do tempo de dar certo”. A foto abaixo é da jornalista Susy Costa, profissional de gigantesca sensibilidade:

A galope
Naquela data, como o texto observa, o Brasil não havia chegado ainda a 450 mil mortos. Mas havia uma progressão geométrica, gradual e nada lenta que indicava número tão devastador. Desde então, a CPI do Genocídio, no Senado, recebeu ilustres patrocinadores das covas, como o ex-ministro Eduardo Pazuello, o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajgarten e a médica Nise Yamaguchi. Sem a mínima preocupação do a verdade dos fatos, mostraram que o incremento do mercado funerário é a maior obra do governo Bolsonaro. Pois bem: superamos 474 mil óbitos e seguimos céleres para 500 mil.

O que #VaiDarCerto? Com 500 mil mortes, o que deu certo?

Veias abertas
A Câmara dos Deputados aprovou, na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, proposta que permite maior controle social na gestão dos reservatórios públicos de água. A iniciativa é do ex-senador Jorge Viana (PT-AC) e fortalece a gestão democrática dos recursos hídricos. O texto modifica a Lei de Saneamento Básico e permite que os cidadãos acessem relatórios sobre o nível dos reservatórios de água para abastecimento público e outros dados relativos à segurança hídrica.

Casa na pauta
E a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara federal agendou audiência pública para a próxima sexta-feira (11.6). Na pauta, o programa Casa Verde e Amarela. Trata-se da versão bolsonarista do Minha Casa, Minha Vida, criado pela gestão de Lula. Bolsonaro, além do nome, tirou verbas da ação habitacional.

Esvaziamento
Deputados que articularam a audiência dizem que o programa Casa Verde Amarela não prevê aporte significativo de recursos orçamentários para produção habitacional nem subsídios como havia no Minha Casa Minha Vida. No programa petista, por exemplo, atendia famílias com renda até R$ 1,8 mil, em que as prestações não passavam de 10% da renda pelo período de 10 anos. Esta faixa compreende mais de 70% do déficit de moradias no País.

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