Como o perfil do emigrante brasileiro nos EUA está mudando

Se observarmos os empregos ocupados pelos imigrantes nos EUA como um todo e aqueles ocupados pelos que chegaram nos últimos dois anos, veremos algumas diferenças tanto no perfil dos profissionais quanto pelos cargos ocupados por eles. “A pandemia acelerou tendências já existentes em trabalho remoto, e-commerce e automação, precisando de até 25% mais profissionais do que o estimado.“, apontou pesquisa publicada em fevereiro deste ano pela McKinsey & Company, empresa de consultoria americana.

Os empregos preenchidos por brasileiros imigrantes nos últimos 10 anos, por exemplo, mostram um maior nível de qualificação profissional e acadêmica. Ou seja, as certificações passaram a ser vitais para se tornar mais indicado para o trabalho que o imigrante deseja.

Após avaliar o impacto duradouro da pandemia sobre a demanda de trabalho, a combinação de ocupações e as habilidades exigidas pelo mercado, Rodrigo Costa, consultor empresarial e CEO da AG Immigration – escritório americano de advocacia imigratória, compilou uma lista das profissões que estão em alta para os brasileiros que pretendem desembarcar em terras americanas nos próximos meses.

De acordo com o profissional, aqueles que trabalham nas áreas da saúde, logística, engenharia, aviação e tecnologia da informação (TI) saem na frente. Isso representa uma ruptura com as escolhas normais de carreira da comunidade imigrante como um todo. “Nos últimos anos, houve uma mudança muito grande na origem e no grau de instrução dos imigrantes brasileiros nos EUA”, disse o CEO da empresa que presta consultoria e suporte para entrada e permanência legal nos EUA.

Para uma perspectiva melhor, aqui está uma lista das cinco principais áreas que estão em alta para brasileiros nos EUA e por quê, segundo Rodrigo Costa. 

1.Saúde. “É estimado que o envelhecimento da população americana impulsione uma diversidade de empregos na área de saúde, o que resulta em grande demanda de auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, médicos e enfermeiros. Há oportunidades na saúde em todos os espectros. A grande necessidade de profissionais de saúde também não desaparecerá depois que a pandemia acabar totalmente.”

2.Profissionais da área de logística (portuária, aeroviária). “Com o mundo focado em manter o fluxo de bens e serviços essenciais enquanto lutamos contra a pandemia, esta é a hora dos profissionais da Cadeia de Suprimentos brilharem.”

3.Engenharia: “Para manter os negócios fluindo normalmente, engenheiros e profissionais de tecnologia precisam trabalhar nos bastidores para atender às demandas do novo mundo e local de trabalho em constante mudança.”

4.Aviação: “Pilotos estão entre os profissionais mais raros de se encontrar hoje nos EUA, e os salários são excelentes. A escassez de profissionais de aviação se deve ao fato de que na última década muitos pilotos americanos foram trabalhar nas grandes companhias aéreas do Oriente Médio, além de outros tantos terem se aposentado. “O mercado interno americano não conseguiu gerar uma quantidade nova de pilotos que atenda as imensas demandas dos EUA, e por isso existem muitas oportunidades para pilotos estrangeiros”.

5.    Tecnologia da Informação (TI): o mercado de TI está “sedento” por novos talentos vindos de outros países para trabalharem nas “Big Techs” americanas, especialmente aquelas situadas na região do Vale do Silício (Califórnia). No Brasil, houve nos últimos 15 anos um grande aumento no número de profissionais de TI, muitos deles com bacharelado completo e até mesmo com cursos de pós-graduação e MBA dentro da área. Profissionais com este perfil podem encontrar excelentes vagas de emprego nos EUA.

Olhando para o futuro, cada vez mais haverá uma necessidade contínua de trabalhadores qualificados nas indústrias técnicas e científicas, o que é um grande atrativo para os imigrantes – particularmente aqueles com formação acadêmica avançada e que já estejam bem posicionados em suas carreiras. “Há uma forte demanda em todas estas áreas, e os empregadores nesses setores costumam enfrentar grandes desafios para encontrar trabalhadores qualificados americanos”, aponta Rodrigo que mora no país há dez anos.

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