Pandemia aquece setor de cobranças digitais e estimula inovações

Os meios de pagamento digitais são uma realidade concretizada neste cenário de pandemia. Com as restrições de visitar lojas e funcionamento de ambientes como shoppings e eventos, os empresários, em especial pequenos e médios, que ainda não apostavam nesta modalidade de pagamento tiveram que se adaptar e rápido. A burocracia dos sistemas bancários tradicionais acaba afastando os empresários, que precisam de uma solução prática. O cenário favoreceu o crescimento do uso de cartões para pagamento – e para as fintechs inovarem no setor.

Em 2020, o uso de cartões movimentou R$ 2 trilhões, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). O pagamento em cartões de crédito, sozinho, registrou R$ 1,18 trilhão em transações, marcando uma alta de 2,6%, superando expectativas do mercado para um ano de pandemia. A migração para o meio online se tornou não apenas natural, mas necessária.

“Sabemos o quão burocrático pode ser ter uma conta digital, principalmente quando é jurídica”, comenta José Antunes, coordenador de vendas e novos negócios da fintech Juno, especializada na desburocratização de serviços financeiros. “Nosso papel é construir uma conta cada vez mais completa, com possibilidades de recebimento, pagamentos e outros serviços relacionados, centralizando tudo isso em uma única conta completa”, afirma.

Assim como o consumidor quer fazer uma compra rápida e segura, o empresário também deseja finalizar a transação de maneira prática e fácil. “O cartão de crédito tem a vantagem do parcelamento e, nesse momento difícil que passamos, é o que o consumidor busca cada vez mais, continuando com suas compras sem comprometer o orçamento mensal. Isso nos fez repensar em alguns produtos e desenvolver novas features para o cartão, aumentando as possibilidades de quem vende, cobrar com comodidade via cartão, conseguindo acompanhar essa tendência”, explica Antunes.

Pequenas e médias empresas são boa parte dos novos usuários de sistemas de pagamento online. Só entre março e julho do ano passado, foram registradas 150 mil novas lojas virtuais, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. A pandemia acelerou a digitalização do mercado, e os empreendimentos menores viram a necessidade de apresentar variadas formas de transações financeiras. O coordenador de vendas da Juno aponta: “A abertura facilitada de contas, com envios de documentos e comprovantes de forma digital, com operacionalização da conta em poucos minutos, foi a grande vantagem da digitalização de contas e dos serviços bancários em geral.”

Garantir a confiança do cliente ganhou ainda mais destaque, e mostrar que a compra virtual é segura e fácil se tornou um dos pontos fundamentais. Soluções como o checkout transparente, no qual um pagamento pode ser feito diretamente no site da loja, sem redirecionar o usuário para outra página, são um atrativo para serviços de pagamentos. “Perder um cliente no checkout é a pior coisa que pode acontecer para um e-commerce e nós sabemos disso, por isso a preocupação em ter diferentes rotas para nunca deixar nossos clientes na mão”, Antunes destaca.

O ambiente virtual gera desconfiança pelo número de golpes, e apresentar formas seguras de transação é um atrativo das fintechs para os empreendedores. A Juno, por exemplo, aposta na personalização do mecanismo antifraude, mesmo para as pequenas e médias empresas que não costumam receber esse grau de customização. “Conseguimos elaborar nosso mecanismo antifraude com o cliente, modulando uma regra mais rígida ou permissiva. Essa personalização é importante para vendas saudáveis, evitando o chargeback, uma grande dor de cabeça para quem vende online”, completa o coordenador da Juno.

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