O “turismo da vacina” e as mudanças nos serviços de câmbio

Artigo de Vanessa Blum Colloca, economista pela PUC-SP, diretora da corretora de câmbio Getmoney e especialista em câmbio e mercado financeiro pela FGV e pela Abracam (Associação Brasileira de Câmbio):

É fato que o brasileiro está ansioso para viajar. Por não ter tirado férias ou ter antecipado as suas compulsoriamente devido a acordos com as empresas para manter seus cargos, existe um consumo reprimido por viagens para o exterior. Mas, embora as viagens estejam praticamente paradas desde março de 2020, tem ocorrido o chamado “turismo da vacina”: o brasileiro compra dólar ou pesos mexicanos, fica 14 dias no México de quarentena e depois uma semana em Miami ou Nova York, de acordo com o pacote de viagem escolhido. Daí, vacina-se nos Estados Unidos.

Já os outros serviços de câmbio, como a demanda por transferência de recursos entre os países, aumentaram muito, tanto em envios como em recebimentos. Isso porque o home office possibilitou que mais brasileiros pudessem trabalhar em empresas no exterior (e vice-versa), abrindo portas para este serviço.

Além disso, aumentou o número de investidores buscando ativos estrangeiros para proteger o próprio patrimônio, confiando o dólar como porto seguro para a instabilidade financeira no Brasil, ou de brasileiros repatriando recursos nos momentos em que o dólar está valorizado.

O mercado de câmbio turismo papel (bank notes) mudou desde o início da pandemia. Antes, o movimento maior era dos clientes comprando moeda estrangeira para viajar ou guardar para o momento oportuno de uma viagem. Agora, o movimento mais forte está na venda de moeda para aproveitar a cotação de momento ou para saldar compromissos em real, afinal, muitos que iam viajar em 2019 e 2020 viram seus planos adiados pela pandemia e seus compromissos em reais aumentando, devido à inflação e à alta de preços, principalmente nos alimentos.

Importante lembrar aqui que, para fazer câmbio no Brasil, a pessoa precisa procurar uma instituição financeira regulada pelo Banco Central, que siga as normas da Abracam (Associação Brasileira de Câmbio), além de obter o “selo de conformidade”, indicando que a instituição está dentro das normas de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro pela regulamentação da circular 3978.

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