Brasileiros mantêm em média 3,6 contas bancárias, aponta pesquisa

Brasileiros com acesso à internet mantêm em média 3,62 contas em bancos e outras instituições financeiras ao mesmo tempo, aponta pesquisa C6 Bank/Ipec. Esse número é maior entre homens (4,07) do que entre mulheres (3,22) e aumenta de acordo com a classe social. Na classe A, chega a 5,53, enquanto na classe C a média é de 3,38. Além das populares contas corrente e poupança, usadas por mais de 75% dos entrevistados, há ainda as contas salário (onde o empregador faz depósitos mensais), pagamento (oferecidas por fintechs) e investimento (voltadas para quem quer investir).  

A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 27 de maio deste ano, com 2000 brasileiros das classes A, B e C com acesso à internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais sobre o total da amostra. 

A informação sobre o acúmulo de contas chama atenção no momento em que o sistema bancário brasileiro passa por uma transformação que deve mudar em definitivo o relacionamento dos consumidores com as instituições financeiras. O chamado open banking, que está em fase de implementação no país, permitirá que os clientes compartilhem seus dados bancários entre diversas instituições, em troca de serviços e produtos melhores e a taxas mais competitivas.  

“Hoje, um banco não consegue saber como o cliente se relaciona com outras empresas do sistema bancário. O histórico que ele constrói com a instituição não o acompanha quando ele abre conta em outro banco”, explica Maxnaun Guitierrez, head de produtos e pessoa física do C6 Bank. “Com o open banking, será possível saber se ele é um bom pagador ou quanto de crédito teve aprovado em outra instituição, por exemplo.” 

Com a virada de chave para o sistema financeiro aberto, o que deve ocorrer até o fim do ano, são esperadas uma série de soluções inovadoras. Entre elas estão a possibilidade de acessar a partir de um único aplicativo as contas mantidas em diversas instituições financeiras além de agregadores de serviços e tarifas. “Essa é mais uma etapa importante do processo de democratização do acesso aos serviços bancários no país, que já vem se consolidando com o avanço das instituições digitais”, explica Gutierrez.  

Uma outra pesquisa C6 Bank/Ipec, realizada em abril, revelou que 57% dos entrevistados já têm contas em bancos digitais, que não cobram tarifas, nem operam com agências físicas. Dentro desse grupo, 47% mantêm suas contas em bancos tradicionais e digitais ao mesmo tempo e 10% abandonaram de vez as instituições convencionais.  

O instituto de pesquisa perguntou também em que tipo de instituição os brasileiros mais realizam transações como depósitos, saques e pagamentos. A maioria ainda usa os bancos tradicionais (65%), em comparação com os bancos digitais (31%). Porém, entre os brasileiros que têm de 16 a 24 anos, os bancos digitais já superam os tradicionais (51% contra 41%). 

Open o quê?  

A segunda fase de implementação do open banking está marcada para 15 de julho, mas a maioria dos brasileiros ainda não sabe o que significa o novo sistema. Segundo a pesquisa C6 Bank/Ipec, 56% dos brasileiros com acesso à internet não conhecem ou nunca ouviram falar sobre o open banking. Quando apresentados a supostas definições para o novo sistema, 37% dos entrevistados disseram que o open banking é um novo banco digital; outros 12% acreditam se tratar de agências bancárias abertas 24 horas por dia e 1% disse que é um evento com comida e bebida liberadas. Apenas 23% mencionaram ser um sistema que permitirá o compartilhamento de informações bancárias. 

Segundo o levantamento, 23% dos brasileiros estão interessados em compartilhar dados pessoais com instituições financeiras em troca de economia com tarifas e taxa de juros. Outros 33% não têm interesse em compartilhar seus dados e 44% não sabem dizer se querem ou não abrir essas informações.  

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