O sobe e desce dos combustíveis: como e por que a gasolina e o diesel aumentam

A alteração no preço dos combustíveis, seja para mais ou para menos, é uma constante no mercado. Quando para mais, se torna um grande temor dos consumidores. Quando para menos, nem sempre o preço chega às bombas com agilidade, fato que pode gerar grande descontentamento nos clientes. Porém, os motivos pelos quais há uma variação nos preços com tanta frequência são vários, e vão muito além das modificações nos preços das refinarias, cujas alterações podem demorar para chegar até o cliente final.

Esse, é claro, é um dos fatores essenciais: junto ao aumento dos impostos, o preço estipulado pela Petrobras é uma das variáveis mais importantes para haver uma alteração do preço dos combustíveis. Porém, a chamada “cadeia de combustíveis” é composta não só pelas refinarias, mas também pelas distribuidoras e postos de combustível, o que pode tornar o processo de entrega ao consumidor final com novo preço mais lento.

Essa demora é causada, muitas vezes, pela ausência de repasse dos preços mais baixos aos postos pelas distribuidoras – pois, já que estas adquiriram os combustíveis por um preço mais alto, perderiam lucro ao diminuir o repasse antes de comprar novas reservas por um preço menor. “Como não é possível comprar direto das refinarias, precisamos esperar que o fluxo da cadeia de combustíveis chegue até nós, de maneira que não percamos o dinheiro investido inicialmente, para então repassar para o consumidor”, explica Novais Neto, presidente do Sindipostos Ceará.

A gasolina além da cadeia de produção

Outra variável se dá a partir da livre concorrência entre os postos, especialmente no que diz respeito a preços locais ou regionais. “Cada dono de posto tem liberdade para estipular seus valores, e muitos deles baixam para obter lucro mais rápido, sendo seguidos pelos concorrentes, para evitar que seu empreendimento seja prejudicado. Dessa maneira, quando há uma baixa em momentos como esse, já não é mais possível baixar o preço, pois o desconto foi feito previamente”, explica.

Além disso, lembra o Sindipostos, há os custos de transporte, manutenção e segurança dos postos, que costumam variar entre 70% e 80% do lucro mensal obtido, e a variação do mercado internacional, do dólar e dos fretes, que interferem diretamente na margem de lucro. “Há também, como em toda categoria trabalhista, o impacto das negociações coletivas sobre os direitos do trabalhador, que influem no preço final do combustível, a depender de suas atualizações e das demandas da categoria”, completa Novais Neto.

Em casos de possíveis abusos de preços em postos de combustíveis, o sindicato recomenda contato com a ouvidoria através do e-mail sindipostos@sindipostos-ce.com.br, canal aberto para dúvidas e esclarecimentos do consumidor.

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