Embrapa orienta criadores sobre prevenção e controle da brucelose ovina nos rebanhos

Pelo menos 40% das propriedades nos territórios Bacia do Jacuípe (BA), Inhamuns-Crateús (CE) e nas bacias leiteiras da Paraíba e Pernambuco possuem rebanhos ovinos infectados pela Brucelose, uma doença que causa aborto, nascimento de crias debilitadas e morte. A equipe de sanidade animal da empresa está elaborando boletins técnicos para disponibilizar aos produtores conhecimentos sobre sintomas, cuidados e prevenção da enfermidade.

Esta é uma ação da Embrapa, em parceria com o Projeto Dom Helder Câmara (PDHC), desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), no âmbito do Programa AgroNordeste.

A Brucelose Ovina, também conhecida como Epididimite Ovina, é causada por um microrganismo chamado Brucella ovis. Ela afeta o sistema reprodutor dos animais e entre os sintomas apresenta diferentes níveis de inflamações no macho, principalmente nos testículos. Nas fêmeas, a inflamação acontece na placenta e endométrio. Como consequência, causa perdas reprodutivas, diminuição da fertilidade, problemas de parto e nascimento de animais fracos e doentes. Diferente da Brucelose Bovina, a Brucelose Ovina não é uma zoonose. 

A transmissão acontece por meio de animais enfermos, com ou sem sintomas, principalmente durante a estação de monta. “Um reprodutor contaminado, por exemplo, pode levar o microrganismo para as fêmeas, que durante a gestação, poderão apresentar distúrbios reprodutivos. O micróbio é transmitido via sêmen, colostro e leite contaminado, descarga vaginal e materiais oriundos de aborto”, explica o pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, Selmo Alves. Ele alerta que o microrganismo permanece vivo, por 24 a 72 horas, em material de abortos, fezes e em instalações que não são higienizadas corretamente. Locais úmidos, com água empossada, material orgânico exposto e as chuvas favorecem a sobrevivência do micróbio no ambiente.

Como prevenir a Brucelose Ovina no seu rebanho?

Práticas sanitárias e ações preventivas são importantes para a prevenção e controle da doença na propriedade. Veja abaixo, algumas recomendações dos especialistas da Embrapa para o manejo dos animais.

– Ao adquirir animais, certifique-se se a propriedade de origem tem ou já teve problemas reprodutivos com os ovinos;

– Realize exames reprodutivos (inspeção e palpação) dos órgãos genitais masculinos verificando tamanho, temperatura, sensibilidade a dor e consistência;

– Busque, na medida do possível, realizar teste sorológico para Brucelose Ovina. Para mais informações, você deve contactar as instituições oficiais, secretaria de agricultura e/ou agência de defesa sanitária acerca das informações dos testes laboratoriais como também das condições sanitárias do rebanho;

– Animais vindos de rebanhos desconhecidos devem ficar isolados, antes de serem introduzidos no rebanho;

– No período que antecede a estação de monta, realize os exames reprodutivos nos machos;

– Separe os machos com até um ano de idade dos carneiros sexualmente ativos (carneiros em fase de reprodução);

– Faça a limpeza frequente das instalações;

– Utilize o sistema de compostagem como local de descarte de restos de abortos e de animais mortos. Se não tiver área de compostagem, separe uma área cercada, longe da instalação, dos animais e de fontes de água e alimentos, para utilizar como cemitério;

– Registre a ocorrência de problemas reprodutivos nos animais e identifique se o animal apresentou mais de uma vez o mesmo problema.

O Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos disponibiliza informações sobre as principais enfermidades que acometem os rebanhos. Para acessá-las, clique ehttps://www.embrapa.br/cim-inteligencia-e-mercado-de-caprinos-e-ovinos/zoossanitario-brucelose

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