A pandemia e o crédito: os desafios para conter a inadimplência

Um dos reflexos da covid-19 no mercado foi o crescimento da inadimplência, cujos altos índices acenderam um sinal de alerta no setor. Somente de março para abril, houve alta de 5,1% no não pagamento de compromissos financeiros. Se comparado com abril de 2020, o aumento foi de 5,8%, segundo dados da Boa Vista.

A Serasa Experian estima que o total de brasileiros com contas em atraso tenha chegado a 63 milhões em abril. Neste ano, 1,6 milhão de pessoas a mais deixaram de pagar suas dívidas e acabaram sendo negativadas. Outra pesquisa mostra altas consecutivas na inadimplência das empresas, já atingindo 5,9 milhões delas em abril, com os negócios de menor porte liderando esse ranking, com 92,4%.

Por esse motivo, houve um aumento na busca por serviços e tecnologia que permitam uma análise mais apurada de riscos. O VADU, por exemplo, registrou um crescimento na demanda de 600%, nos últimos 12 meses, graças ao uso de Big Data e Inteligência Artificial.

Para Rogério Castelo Branco, especialista no setor de crédito, conceder crédito nesses tempos, independentemente da pandemia, transcende a maneira analógica de análise de dados, com base no capital social. “O grande problema a ser resolvido para a análise de crédito não é mais o passado e sim, cada vez mais, o futuro da atividade do tomador de crédito. Não estamos falando se a atividade ou o setor estarão bem ou mal posicionados, mas se ainda existirão. Esta é a questão: o que existirá no futuro próximo que permita a criação e o crescimento de determinada atividade.”

Com essa visão de futuro, Rogério questiona, ainda, “por que a concessão de crédito não teria direito à mesma e natural evolução, com a já referida inteligência artificial, machine learning, algoritmos, Big Data, redes sociais e tantas outras ferramentas que, em fração de tempo, podem gerar um resultado muito mais efetivo ao parceiro financeiro, com mais opções e conhecimento para base de decisão de assunção de risco, em detrimento das ferramentas que ainda usamos, enferrujadas e desgastadas?”

O especialista conclui que a tendência é que o abismo entre os analistas de crédito que ainda trabalham de forma analógica, e o uso da tecnologia para decisões de crédito, cada vez mais com análises preditivas, diminua cada vez mais.

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