Após “boom” do Airbnb, startup brasileira se destaca com novos formatos de aluguel por temporada

O administrador paulistano Felipe Banlaky desde pequeno queria ter seu próprio dinheiro e, para isso, dentro das possibilidades de uma criança, fazia de tudo um pouco. Comprava sorvetes no interior para vender no condomínio em que morava na Vila Madalena, em São Paulo, gravava CDs para quem precisava, vendia chicletes. “Nunca consegui ficar parado esperando, sempre me virei para fazer acontecer”, conta o empresário. Essa inquietude fez com que Felipe terminasse o ensino médio e fosse para Londres, onde também teve várias experiências de trabalhos. De volta ao Brasil, cursou administração na FGV, onde teve a confirmação de sua vocação para os negócios. Depois de formado, foi consultor de inovação no Sebrae e, em seguida, fez mestrado em gestão internacional, também na FGV, onde teve a oportunidade de cursar durante seis meses na Alemanha e os outros seis na França. Mal sabia Felipe que ali teria seu primeiro contato com o que se tornaria anos depois a Brazilian Corner. 

Quando recebeu uma proposta de emprego na Austrália, Banlaky sublocou o apartamento que tinha alugado na França. De longe, com ajuda de amigos, manteve o lugar funcionando bem durante dois anos. De volta ao Brasil, veio a ideia de profissionalizar o serviço de aluguel por temporada. “Comecei batendo de prédio em prédio, explicando minha ideia para os proprietários. Era bem difícil, já que aqui no nosso país o perfil de pequenos investidores imobiliários é conservador. Um dia fui visitar um amigo que mora em Higienópolis, em São Paulo, e no caminho consegui um proprietário que aceitou esse modelo de sublocação”, comenta Felipe Banlaky. 

Nesse início era o empresário que fazia tudo. Limpava os apartamentos, lavava roupas de cama. Aos poucos, com muita persistência, ele conseguiu outros imóveis e a Brazilian Corner começou a crescer. Chegou um momento em que, além do trabalho nos apartamentos, ele precisava de ajuda no escritório e a prima, a engenheira de produção Marcela Marin, entrou na sociedade. Formada pela UFSCAR, Marcela trabalhou com consultoria logística por alguns anos e topou ser parceira no novo negócio do primo. “Na época tínhamos uns cinco apartamentos. Passei a cuidar de todo back office, da parte burocrática, financeira, de RH. E o Felipe seguiu mais focado em conseguir novos clientes”, explica Marcela. Hoje, a Brazilian Corner tem quatorze funcionários, entre atendimento dos clientes, manutenção, limpeza, supervisão, financeiro e logística. 

A empresa atua no aluguel por temporada de duas formas diferentes. Em uma, a Brazilian Corner aluga o apartamento, investe em toda a parte de mobiliar e equipar com eletrodomésticos, utensílios, roupas de cama e suprimentos. Nesse modelo, a Brazilian Corner paga o valor mensal de mercado do aluguel por 30 meses para o proprietário e as diárias vão para empresa. Em paralelo, também trabalham administrando imóveis para proprietários que investem no mercado imobiliário e procuram uma alternativa mais rentável ao aluguel convencional. Assim, gerenciam toda a operação de reservas, limpeza e manutenção, e ganham uma comissão em cima de cada diária. “A ideia desde o início era profissionalizar o serviço de aluguel por temporada, proporcionando melhores experiências para os hóspedes e maior renda para os donos”, fala Felipe Banlaky. 

Serviço personalizado 

Para a Brazilian Corner, a preocupação com a segurança e com o bem-estar tanto de quem se hospeda quanto dos vizinhos é primordial. São emitidos antecedentes criminais dos hóspedes, pedidas fotos dos documentos e é feito um contrato de locação pelo período desejado, que pode ser de 1 até 90 dias. “Sempre que chegamos em um prédio novo conversamos com síndico, zelador, porteiros e explicamos nosso trabalho. Eles são nossos aliados ali dentro e quanto melhor for nosso relacionamento, mais tranquilo será o trabalho para todos os lados. Mantemos inclusive um canal 24 horas também para ajudar o condomínio caso os hóspedes estejam descumprindo o regulamento interno”, explica Marcela Marin. 

Além desse cuidado inicial, todos os detalhes são pensados para que as estadias sejam únicas. O serviço de limpeza é minucioso, estão disponíveis uma variedade de insumos na cozinha, o enxoval é de primeira linha, tem o espaço do café, cofre, fechadura eletrônica e até alguns mimos. O resultado do serviço personalizado pode ser visto nas avaliações dos hóspedes. A Brazilian Corner sustenta há três anos o selo de Superhost, do Airbnb, com mais de 1800 feedbacks aprovando os serviços. Além do Airbnb, as reservas podem ser realizadas pelo site da Brazilian Corner ou dos outros canais, como Booking e Expedia.

Em expansão 

Com mais de cinquenta imóveis na cidade de São Paulo a empresa estuda maneiras de expandir os negócios, sem perder a qualidade dos serviços. A primeira parceria fechada fora da capital paulista fica na cidade de Campos do Jordão. “Uma das proprietárias que tem outros apartamentos conosco e conhece nosso trabalho se sentiu confiante em disponibilizar um imóvel para administrarmos em Campos do Jordão. Com nossos processos consolidados, nos sentimos seguros para aceitar esse desafio em outra cidade”, diz Marcela. 

Desde o início da pandemia da Covid-19, a Brazilian Corner manteve o crescimento mensal constante de 10% no número de imóveis, e teve um crescimento médio mensal de 11% no faturamento durante o ano de 2020. Os planos agora são de ampliação para o Brasil todo. “No momento que perdermos a qualidade começaremos a receber reclamações, as avaliações vão cair e nossos funcionários ficarão desmotivados. Não queremos isso de forma alguma. Por isso, estamos empenhados em fazer em outras cidades o que já é realizado com São Paulo e, quem sabe, iniciar um modelo de parcerias. Acredito que temos muito a agregar ao promover a profissionalização deste segmento no mercado nacional”, finaliza Banlaky.

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