Mais de 100 abaixo-assinados alcançam sucesso a cada ano; plataforma chega à milésima história com final feliz

Tecnologia e união de vozes a serviço da democracia e das causas sociais. Assim pode ser definida a atuação da maior plataforma de petições online do Brasil e do mundo, a Change.org. Ao completar 9 anos de atividades no país, a organização alcançou e superou, no primeiro semestre deste ano, a marca de 1.000 vitórias em abaixo-assinados. O levantamento dos dados referentes aos seis primeiros meses de 2021 foi fechado nesta semana.

A libertação de um animal mantido em cativeiro; a aprovação de um medicamento de alto custo para o tratamento de uma doença rara; a instauração de uma comissão para proteção do meio ambiente; a liberação de recursos para a cultura e a educação; a conquista de direitos de acessibilidade a pessoas com deficiência. Esses são alguns dos casos reais entre as mobilizações que obtiveram vitória em petições abertas na Change.org.

Do total de 1.090 casos com final feliz, 143 se deram entre janeiro e junho deste ano. O dado do semestre é 7,5% superior ao mesmo período do ano passado, o que, segundo a diretora-executiva da organização no Brasil, Monica Souza, demonstra a efetividade dos abaixo-assinados online. “Não é mais possível duvidar do poder do ativismo digital. Muitos dos movimentos que ditam e mudam a sociedade, hoje, nascem ou são alavancados por mobilizações na internet, via petições. A rede e as ruas estão juntas e misturadas nisso”.

No mundo, a plataforma Change.org contabiliza uma vitória por hora. Monica explica que esse sucesso não se deve ao acaso, mas ao intenso trabalho que a equipe da organização desenvolve “nos bastidores”. “Em poucos cliques você cria uma petição online, mas esse é apenas o primeiro passo. Depois disso, o nosso time entra em ação e é aí que você descobre o universo do webativismo capaz de levar sua campanha rumo à tão sonhada vitória”, conta.

Uma das pessoas responsáveis por levar as campanhas adiante é Débora Pinho, a coordenadora de campanhas da Change.org no Brasil. Especialista em ativismo digital, Débora atua no apoio e orientação aos criadores de petições, no encaminhamento das demandas a políticos, autoridades e empresas e nas estratégias de pressão que fazem com que os abaixo-assinados funcionem e causem impacto real na vida de quem os cria ou apoia.

“A gente faz reuniões com as autoridades tomadoras de decisões. Levamos as causas ao conhecimento delas, pedimos e cobramos por respostas e posicionamento. Também fazemos atos, barulho na imprensa e nas redes sociais. Sempre ao lado dos peticionários, participamos de audiências públicas e já vimos os abaixo-assinados serem anexados a processos na Justiça e no Ministério Público, por exemplo. A gente não sossega até que as dezenas, centenas, milhares ou milhões de vozes dos nossos usuários sejam ouvidas”, explica.

Atuando há quase um ano e meio na organização, Débora lida com campanhas dos mais diversos temas que a Change.org recebe todos os dias por ser uma plataforma aberta, plural e gratuita. Por semana, cerca de 500 petições são abertas no site e, nestes nove anos de funcionamento, já foram 68 mil. A especialista também já esteve à frente de movimentos formados pela junção de campanhas em prol dos direitos LGBTQIA+ e de justiça racial.

“O abaixo-assinado que pede justiça pelo menino Miguel, criado pela Dani Brito com coautoria de Mirtes Renata, mãe de Miguel, é uma das campanhas mais importantes que temos trabalhado. Já são mais de 2,8 milhões de assinaturas de pessoas do Brasil inteiro pedindo por justiça. Estamos acompanhando Mirtes de perto a cada passo do processo e nas datas emblemáticas, como no último dia 2 de junho, data que marcou um ano sem Miguel e que fizemos projeções em São Paulo e no Recife para homenageá-lo e chamar a atenção para que o caso não caia no esquecimento”, conta Débora.

Um dos casos mais recentes de sucesso que a plataforma conquistou foi na campanha de uma estudante deficiente auditiva, Maria Clara Rosa Meier, na luta por direitos de acessibilidade. Surda profunda bilateral, a jovem de 18 anos havia comprado um pacote de cursinho online e se deparado com a falta de legendas e intérpretes nos vídeos.

Após pressão da equipe da Change.org, a empresa se manifestou: enviou uma resposta prometendo que tornaria o site acessível. Meses depois, os especialistas em campanhas, que não desistem das causas até a conquista da almejada vitória, fizeram novo contato até que os responsáveis, finalmente, iniciaram a colocação de legendas nos vídeos.

“A história de Maria Clara me tocou desde o primeiro momento, vi ali um grande potencial e uma luta que não poderia acabar sem um final feliz. A iniciativa da criadora da petição representa também a voz de todas as pessoas com deficiência auditiva que precisam de acesso e respeito”, conta Marcelo Ferraz, um dos membros da Change.org que atuam diretamente nas mobilizações. “Valorizo muito quando empresas entendem e se comprometem a mudar por um bem maior. Ponto para a acessibilidade. Ponto para o ativismo digital”.

Duas estratégias que os especialistas em campanhas da Change.org colocam em prática para fazer com que a petição escale passo a passo até a vitória são os “bombardeios” nas redes sociais e as entregas dos abaixo-assinados aos tomadores de decisão. Na história de Maria Clara, essa primeira ação integrou os elementos que levaram ao final feliz.

Débora explica que o “bombing” consiste em convidar os centenas, milhares e às vezes milhões de assinantes de uma petição a subirem hashtags no Twitter ou comentários em posts específicos nas redes sociais do responsável por resolver o problema tratado na petição. Segundo ela, essa ação é colocada em prática quando a autoridade, o político ou a empresa não responde as tentativas de contato da plataforma ou dos criadores dos abaixo-assinados.

Outra estratégia que, segundo a equipe da Change.org é fundamental para o sucesso das mobilizações, é o encaminhamento delas diretamente a quem tem o poder de tomar iniciativas e resolver a demanda apresentada ali. No último ano, mesmo em meio à pandemia da Covid-19, a Change.org promoveu reuniões online e usou de outros meios a distância para fazer 12 entregas de abaixo-assinados a políticos e autoridades nos três Poderes.

Antes da pandemia, a equipe acompanhava os autores das campanhas, que podem ser qualquer cidadão de qualquer lugar do país, em atos e audiências presenciais com tomadores de decisão – muitas dessas no Congresso Nacional. “As petições – muitas vezes – inspiram a elaboração de projetos de lei. Em junho, por exemplo, entregamos 30 mil assinaturas pela empregabilidade trans à deputada estadual de São Paulo, Erica Malunguinho, e ela prometeu a elaboração de um PL. E temos outros casos como este para contar”, destaca Monica.

O apoio que a equipe oferece aos peticionários faz com que muitas vezes eles descubram a efetividade dos abaixo-assinados e, depois da primeira experiência, retornem para lançar novas campanhas. O produtor cultural, empresário e empreendedor Rogério Nagai, por exemplo, já criou 11 abaixo-assinados, conseguiu vitória em quatro e assinou mais de 150. Gabriela Pereira, mãe de criança com deficiência, palestrante e ativista dos direitos humanos tem uma experiência semelhante: abriu seis, teve final feliz em três e já apoiou mais de 74.

Além de o usuário se surpreender com o mundo do ativismo que há por trás dos abaixo-assinados, muitas vezes também se descobre um líder de movimento. Este é o caso do motoboy Paulo Lima, entregador de empresas de delivery por aplicativo. Durante a pandemia, Lima criou uma petição por direitos aos entregadores e, meses depois, tornou-se uma das vozes de maior referência da categoria, lançando um movimento. O motoboy refere-se ao abaixo-assinado aberto na Change.org como “uma das primeiras expressões de luta”.

“A Change.org mostra o caminho das pedras aos peticionários, que muitas vezes não sabem nem por onde começar uma mobilização, como direcioná-la ou como chegar aos alvos corretos. Engana-se quem acha que o abaixo-assinado termina no momento de sua publicação no site. Ali é apenas o início”, esclarece a coordenadora de campanhas, Débora.

Outra peticionária que passou a pautar um debate a nível nacional após a abertura de uma petição na Change.org é Julia Bortolani. A jovem estudante e um grupo de amigas lançaram o movimento “Defenda o Livro” – contra a proposta de taxação dos livros de 12% – e engajaram 1,4 milhão de apoiadores em torno da causa. A experiência fez com que Julia participasse de reuniões com parlamentares, falasse em audiência pública na Câmara dos Deputados, fosse convidada para um debate na Bienal Virtual do Livro, entre outras ações.

Monica explica que o objetivo da organização é “empoderar pessoas”, fazê-las acreditar que podem ter condições e meios de lutar pela causa que defendem. “Não importa seu posicionamento político ou ideológico, somos 100% independentes e, por isso, oferecemos um espaço democrático para todas as vozes que respeitam as leis”, enfatiza a diretora-executiva.

A Change.org nasceu em 2007, nos Estados Unidos, e atualmente possui mais de 400 milhões de usuários em 196 países. Na América Latina, 96 milhões de pessoas usam a ferramenta – dado que cresce a cada ano e que aumentou ainda mais durante a pandemia.

“Como nunca, o ativismo digital está provando o seu valor. Em meio aos desafios impostos pela pandemia, a Change.org consolidou-se como referência de webativismo e instrumento sempre possível e acessível para a ação política. Em meados do ano passado, chegamos a registrar um aumento de 160% na criação de petições”, narra Monica. Todos os abaixo-assinados hospedados pela plataforma são feitos pelos próprios usuários.

Em 2020, a Change.org quebrou todos os recordes ao reunir em uma única petição quase 20 milhões de apoiadores. Aberto nos Estados Unidos, o abaixo-assinado líder de assinaturas pedia justiça por George Floyd e teve o Brasil como o quarto país mais engajado. Com a condenação do policial envolvido no crime, a campanha tornou-se vitoriosa.

“No Brasil, o crescimento da plataforma mostra como o povo tem recorrido cada vez mais ao webativismo para desempenhar seu papel cidadão. São 34 milhões de brasileiros e brasileiras usando a nossa plataforma no país, um aumento de 30% em comparação com 2020, o que nos mantém como a segunda maior base de usuários da Change.org no mundo. Esse volume corresponde, por exemplo, ao número de habitantes do Peru”, diz a diretora.

O engajamento dos cidadãos nas causas demonstra a aderência da população às petições online. Em sua existência no Brasil, a plataforma soma 233,6 milhões de assinaturas recebidas nas campanhas que hospeda – somente neste ano foram 24,6 milhões.

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