Guia completo sobre financiamento para pequenas e micro empresas

Os financiamentos para micro e pequenas empresas são uma boa alternativa para muitos empreendedores estarem mais atentos às tendências do mercado. Afinal, é importante buscar a melhoria contínua para conquistar um maior número de clientes.

Porém, é necessário ter muito planejamento para pegar um empréstimo. Se uma empresa não tiver condições de quitar as parcelas, existe o risco do negócio se tornar inviável, obrigando o empresário a fechar as portas.

Pensando nisso, elaboramos este artigo para os que desejam utilizar os recursos de uma cooperativa de crédito para melhorar a infraestrutura, ter capital de giro e aperfeiçoar a produtividade.

A disputa pelos consumidores se mostra cada vez mais intensa entre as empresas, independentemente do porte delas. Não é fácil para uma organização alcançar uma posição de destaque no mercado.

Um dos fatores que impede algumas companhias de conquistar o sucesso é a falta de recursos financeiros. É vital investir em tecnologia e em pessoas para apresentar serviços e produtos que cativam os clientes e os façam serem leais à sua marca.

Contudo, são poucos os empreendedores que possuem capital para abrir ou ampliar o próprio negócio. Na conjuntura atual, o financiamento se tornou valioso para diversas companhias terem mais possibilidades de serem competitivas e atraentes para seu público-alvo.

“Não basta somente ter um bom planejamento e profissionais qualificados para colocá-lo em prática. É crucial que uma empresa tenha recursos financeiros para implantar novas ações que a tornem mais eficiente e rentável”, avalia Pablo Guancino, diretor de negócios da Cresol.

O diretor vai além “imagine uma loja que pretende vender calçados de uma marca reconhecida no mercado e que não é devidamente explorada pela concorrência da região. Inegavelmente, é uma ideia que pode contribuir para conquistar mais consumidores. No entanto, o empresário precisa de recursos para manter o estoque dos sapatos mais desejados pelos clientes e está com dificuldades de fazer isso como gostaria. Nesse caso, uma opção para resolver o problema é o financiamento bancário”.

“Quanto mais dinheiro o empreendedor tiver à disposição, mais facilidade de obter descontos nos produtos a serem destinados ao público-alvo ele terá. Com o financiamento, ele contará com condições de negociar um maior número de itens com os fornecedores — o que facilita a redução de custos das mercadorias. O empreendedor deve considerar o financiamento como uma modalidade viável de investimento em vez de julgá-lo como uma despesa. Essa mentalidade contribui para o uso dos recursos disponíveis de maneira mais prática e racional”, explica o Pablo Guancino.

Financiar sem comprometer a saúde financeira
Ter em mente o financiamento como solução adequada para a empresa se modernizar, crescer e inovar é, sem dúvidas, um bom começo. Apesar disso, é bom ter cuidado para não comprometer a saúde financeira do negócio.

Um passo importante para pegar um financiamento e evitar as dívidas é fazer uma análise financeira da empresa. Essa atividade consiste em verificar se uma organização tem condições de investir ou precisa ter uma postura mais conservadora para evitar a falência. Dessa forma, um empresário terá mais possibilidades de administrar o endividamento sem comprometer a qualidade dos serviços.

“Pense em uma farmácia que pretende abrir uma nova filial em uma cidade: se o proprietário não estimar devidamente os recursos necessários para finalizar a obra e manter a saúde financeira do negócio, mesmo conseguindo um financiamento, ele vai ficar endividado”, orienta Pablo.

Essa postura deve ser evitada ao máximo, visto que dificulta a obtenção de crédito junto a uma instituição financeira e prejudica a qualidade dos serviços, o que afasta os consumidores.

Muitas empresas fecham as portas porque não têm os recursos financeiros suficientes para seguirem as atividades de maneira adequada. Além disso, não têm uma gestão que administre as dívidas e promova o crescimento do negócio de forma sustentável.

Um fator muito importante para avaliar se o financiamento é benéfico para o empresário é a taxa de juros. Ela consiste na remuneração que o cliente paga à instituição responsável por conceder o crédito.

À medida que o investimento apresenta um grande risco, maiores serão as taxas de juros. Isso deve ser analisado com bastante atenção pelo empreendedor, porque o atraso no pagamento das parcelas pode fazer com que a dívida aumente bastante — o que pode tornar inviável a continuidade do negócio.

A taxa de juros é influenciada por aspectos como a inflação, os custos administrativos relacionados com a transação e a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), utilizada pelo Banco Central (BC) ao emprestar dinheiro para as instituições financeiras.

O diretor de negócio explica que se a taxa Selic estiver baixa, os clientes têm mais condições de fazer financiamentos com juros menores. Isso faz com que haja menos custos para quitar as parcelas, criando um ambiente favorável para os investimentos.

Os juros mais baixos contribuem para reduzir a inadimplência, que consiste no não pagamento do empréstimo em dia. A inadimplência faz com que a operação financeira seja mais custosa para o cliente, porque haverá a cobrança dos juros de mora pelo atraso na quitação das prestações.

Nenhum empresário pretende ficar com o nome sujo devido ao fato de não honrar os compromissos acordados. Com mais facilidade de quitar as prestações, o risco de passar por essa situação será bem menor.

Modelos de taxa de juros
O mercado financeiro adota três modelos de taxas de juros, que devem ser levados em consideração pelos empreendedores.

A taxa nominal serve de referência para a cobrança pelo dinheiro emprestado, pois o período de capitalização não é o mesmo da taxa de referência. Como exemplo podemos citar uma taxa de 12% ao ano com capitalização mensal.

A taxa efetiva envolve os juros cobrados efetivamente pelo banco ou pela cooperativa de crédito. Isso porque o período de capitalização coincide com o de referência da taxa.

A taxa real mostra o que a instituição financeira está cobrando pelo empréstimo. Ela se diferencia da efetiva, pois o dinheiro perde valor em virtude da inflação.

A recomendação é que o empresário saiba como será a taxa de juros efetiva. Assim, ele terá mais possibilidades de calcular quanto valerão as parcelas e verificar se possui capacidade de pagá-las em dia.

Quais são as modalidades de financiamento disponíveis para micro e pequenas empresas?
Conhecer as alternativas disponíveis para contar com recursos financeiros de maneira mais rápida e segura é uma iniciativa valiosa para empresas de pequeno porte. Contudo, é preciso ter muita cautela para escolher a melhor opção para manter a saúde financeira do negócio.

Para o investimento ser realizado com eficiência, é interessante o empreendedor pesquisar bastante, conversar com gestores de instituições financeiras e avaliar com os sócios, caso os tenha, o melhor momento para fazer um financiamento.

Cheque especial

É uma opção que deve ser usada em situações excepcionais, quando o empresário tem condições de quitar a dívida em curto prazo. Essa postura é essencial para a dívida não aumentar de forma considerável devido aos juros altos.

O Imposto sobre Movimentação Financeiras (IOF) e a taxa de contrato são outros fatores que tornam o cheque especial uma modalidade de financiamento bastante onerosa caso o pagamento pelo dinheiro emprestado não seja feito com rapidez.

O indicado é que o empresário utilize o cheque especial para dívidas que possam ser quitadas em poucos dias. Essa medida deve ser adotada para não prejudicar a capacidade da empresa honrar compromissos e de fazer novos investimentos.

Conta garantida
Funciona de maneira semelhante ao cheque especial, porém apresenta juros mais baixos, facilitando o pagamento. Ela se caracteriza por uma modalidade de crédito rotativo, que pode ser utilizada para diversos fins, como aquisição de equipamentos e compra de matérias-primas.

Para evitar problemas com as finanças do negócio, o empresário deve negociar a taxa de juros com a instituição credora. A liberdade para usar o dinheiro é uma vantagem que atrai bastante os empreendedores que optam por esse tipo de financiamento.

Leasing
O leasing consiste em um contrato de locação que permite a compra do bem ao final do acordo. É considerado uma boa alternativa para médio e longo prazos, sendo bastante utilizado para a aquisição de equipamentos e veículos.

Logicamente, o empreendedor deve avaliar com bastante carinho se vale a pena investir mais dinheiro na aquisição do bem. Dependendo da situação, é melhor optar por equipamentos mais modernos, caso haja capital disponível para isso.

É preciso analisar que o bem, utilizado durante o leasing, já sofreu uma depreciação e talvez tenha uma vida útil menor do que outro que foi fabricado há menos tempo.

Empréstimo
Nem sempre é viável fazer grandes investimentos com recursos próprios. Por isso, é comum que os proprietários façam um empréstimo para impulsionar o negócio.

As cooperativas de crédito e os bancos (comerciais e de investimento) disponibilizam opções para o empreendedor poder contar com dinheiro necessário para crescer de forma sustentável.

Antes de optar pelo empréstimo, é recomendado analisar a taxa de juros e o período de carência (prazo concedido pela instituição financeira para começar a pagar as parcelas). Isso contribui para o dono de um restaurante, por exemplo, se preparar para quitar as prestações sem afetar as atividades do negócio.

As empresas de menor porte contam com linhas de crédito que permitem usar os recursos para diversas finalidades, como:

fazer reformas ou benfeitorias no estabelecimento;
adquirir veículos que serão usados para as ações da empresa;
comprar equipamentos;
investir na aquisição de um imóvel;
contar com capital de giro;
contratar uma assistência técnica para verificar as melhores alternativas para expandir a produção;
investir em ações de marketing para divulgar o negócio.

Antes de pegar um empréstimo, faça uma simulação de como ficarão as parcelas de acordo com o prazo estipulado para quitá-las. Essa postura vai ajudá-lo a verificar se você possui condições para pagá-las em dia.

Sem dúvidas, o bom senso é uma atitude muito importante para quem vai pegar um empréstimo. Hoje, uma gestão responsável é mais do que uma obrigação para quem está abrindo ou administrando há um certo tempo uma empresa.

As simulações permitem que seja feito um planejamento de como será o pagamento do empréstimo. Quanto mais rápido o empresário pagar as parcelas, menores serão os gastos com os juros.

Antecipação de recebíveis
É uma modalidade de crédito bastante utilizada, principalmente no comércio. Imagine que um proprietário de uma loja de roupas esteja necessitando de capital de giro. Nesse caso, ele pode pedir para uma instituição financeira o dinheiro antecipado por uma venda.

É uma maneira rápida de conseguir recursos financeiros que viabilizem o pagamento das despesas do negócio. Em vez de receber o dinheiro no prazo de 30 dias, o empresário já o adquire com mais agilidade.

Por outro lado, é importante verificar a taxa de juros. Isso porque esse tipo de operação financeira não pode comprometer a lucratividade do negócio de forma significativa.

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