Abuso contra crianças: saiba como agir e como denunciar

“Precisamos ouvir nossas crianças. Muitas vezes, as pessoas não dão credibilidade ao que a criança fala”. O alerta da coordenadora do serviço psicossocial da Defensoria Pública do Estado do Ceará, a psicóloga Andreya Arruda Amendola, põe em perspectiva a necessidade de se falar sobre abuso sexual infantil. Em muita gente, o tema desperta repulsa e emoções intensas, mas merece atenção para que se possa combater este tipo tão cruel de violência.

Andreya Arruda explica que quando os pais ou familiares não sabem como abordar a criança diante de uma situação de abuso, as vítimas podem ter  sequelas que vão durar toda a vida, ocasionando depressão, ansiedade, distúrbios, transtornos e outros problemas. “As crianças sempre dão sinais quando algo não está certo, sejam eles verbais ou não. Os pais devem ficar atentos a algumas mudanças de comportamento, mudanças no padrão de sono e de alimentação. Além de mudanças quanto à relação com pessoas próximas”, informa.

Existem outros aspectos que os pais devem ficar atentos. Como foi o caso da mãe da garota de 12 anos que descobriu neste ano que um amigo do pai, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), havia estuprado a filha seis anos atrás. A mãe relata que a filha estava sempre chorando, isolada e tinha dificuldades de se relacionar na vida privada e com os colegas de escola. Após ler a agenda da filha, ela descobriu os abusos sofridos e, em seguida, denunciou o homem à polícia. 

Baixo rendimento escolar, falta de vontade de socializar, não querer aceitar carinho de determinada pessoa próxima, fadiga e timidez são outros desses sinais. “A criança não se sente segura para falar e quando fala tem medo de lhe darem credibilidade. Por isso é necessário que os adultos estejam atentos a qualquer sinal vindo das crianças”, explica a  defensora pública Julliana Andrade, supervisora do Núcleo de Atendimento da Defensoria Pública da Infância e Juventude (Nadij).

Sinais que os pais devem ficar atentos com os filhos:

– Falta de apetite

– Baixo rendimento escolar

– Falta de vontade de socializar

– Não querer aceitar carinho de pessoa próxima

– Fadiga

– Timidez

– Mudança de humor

– Agressividade

Vale lembrar que o abuso sexual é compreendido por qualquer ato sexual ou erótico cometido com a criança, já que ela não compreende ou não pode dar consentimento. Portanto, estão previstos em lei e são considerados como abuso: carícias não genitais, beijos, exibicionismo e voyeurismo, exposição e armazenamento de fotos e vídeos contendo nudez e exposição à pornografia, além da penetração forçada em quaisquer parte íntima ou não.

De acordo com o Mapa da Violência, 95% dos casos de abuso sexual infantil no Brasil são praticados por pessoas conhecidas das crianças e em 65% dos casos há a participação de pessoas do grupo familiar da vítima. A defensora Julliana Andrade reforça que “a maioria dos casos são pessoas próximas, o que dificulta a responsabilização do autor”. Ela orienta ainda que “se a criança fala, deve ser ouvida, acolhida e ter o suporte familiar e psicológico o quanto antes, pois são fundamentais para que os danos sejam minimizados e até mesmo reversíveis”.

Na Defensoria Pública, o Nadij atua na assistência a crianças e adolescentes desde 2011 e presta um serviço primordial de realizar em Fortaleza o atendimento inicial e suporte de demandas que envolvam, diretamente ou indiretamente, os direitos específicos ou gerais da criança e do adolescente em situação de vulnerabilidade.

Julliana Andrade explica que para denunciar não é necessário ter a confirmação ou testemunhado um fato. Se alguém suspeitar de algo, pode denunciar anonimamente através do Disque 100 (Disque Direitos Humanos). “A qualquer sinal, deve procurar o Conselho Tutelar ou a Dececa (Delegacia de Combate e Exploração da Criança e do Adolescente) para que o crime seja apurado e o agressor possa ser processado e responsabilizado”, finaliza.

SERVIÇO

NÚCLEO DE ATENDIMENTO DA DEFENSORIA PÚBLICA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE (NADIJ)

Contato: (85) 3275.7662 – 08h às 17h

Celular: (85) 9 8895.5716 (whatsapp) – 08h às 14h

E-mail: nadij@defensoria.ce.def.br

ENTRE EM CONTATO COM O PSICOSSOCIAL DA DEFENSORIA

  • Direitos da mulher: (85) 98560-2709 (8h às 14h) e (85) 98947-9876 (11h às 17h)
  • Direitos da pessoa presa: (85) 99171-7476 (8h às 14h) e (85) 98163-3839 (11h às 17h)
  • Direitos da Infância e Juventude: (85) 98895-5716 e 3275-7662 (8h às 17h)
  • Atendimento inicial da Defensoria (família e cível): (85) 997310293 (8h às 14h) e 988664520 (11h às 17h)
  • Adolescente em Conflito com a Lei: (85) 98616-8765 (8h às 14h) e (85) 98400-5994 (11h às 17h)

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