A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 21.8): Além de direito, vacina se torna dever – e, ainda, um jeito de salvar emprego público

  • Passou no plenário da Assembleia Legislativa do Ceará projeto do Executivo que estabelece como dever funcional, no serviço público do Estado, a vacinação contra a covid-19 por servidores e empregados públicos estaduais. Sim: além de direito, a vacina virou dever. Trata-se de “medida de resguardo da salubridade do ambiente de trabalho e de proteção da saúde, tanto de usuários quanto de todos os demais agentes envolvidos na prestação do serviço público”, segundo o texto do Palácio da Abolição. Mais do que isso, deve-se dizer que a medida chancelada pelos deputados torna a imunização obrigatória. E quem não quiser ser espetado? Veja: “o servidor ou empregado público estadual que, sem justo motivo, opte por não se vacinar contra a Covid-19 deverá comunicar a decisão ao seu órgão ou entidade administrativa de lotação, formalizando pedido de desligamento do cargo ou emprego público”.
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Verdade e consequência
Simples assim: não quer se vacinar? Prefere se transformar em roteador de coronavírus? Ok, só que pra exercer esse “direito” tem de pedir pra sair. O projeto gerou reações da esquerda à direita. Com argumentos distintos, ambos os polos políticos acusaram haver na iniciativa um quê autoritário. Mas há quem seja simpático à ideia, observando que para vacinas como antipólio – a Sabin, contra a paralisia infantil – funcionam determinações mais severas ainda.

Anticorpos
A propósito, antes que apareça algum negacionista com pitaco: a farmacêutica AstraZeneca anunciou que a terapia de anticorpos que desenvolveu em relação ao coronavírus atingiu, em estudo de estágio avançado, o objetivo principal de evitar a covid-19. Isso põe a empresa no rumo de oferecer serviço mais apurado a pessoas com sistemas imunológicos debilitados. A companhia britânica disse que o coquetel de dois tipos de anticorpos, descobertos inicialmente pelo Centro Médico da Universidade Vanderbilt (EUA) diminuiu 77% do risco de desenvolvimento de covid-19 sintomática. Em resumo: vacina é importante e até as emas do Palácio da Alvorada sabem disso.

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas

Os senadores ainda vão definir data de sessão solene para marcar a Independência do Brasil, mas só em terem acertado uma atividade assim já é um passo e tanto. Seguinte: o Senado quer aplicar o que chamamos de “vacina democrática” contra os ataques golpistas que o presidente Jair Bolsonaro e aliados têm cometido seguidamente. E vão fazer uma sessão especial para celebrar a Independência nacional. Dessa forma, tentarão anular a retórica bolsonarista que, em vez de fortalecer os direitos sociais e populares, agridem conquistar que o cidadão obteve ao longo de anos. Mais ainda: buscarão tomar as cores verde e amarela que ornamentam movimentações que, em qualquer sentido, sequestram caras liberdades civis.

O grito do Ipiranga - Contexto e independência do Brasil

Barreira
Ligue os fios: o autor do requerimento para a sessão solene é o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). É ele quem ocupa o estratégico cargo de vice-presidente da CPI da Covid – ou “CPI da Pandemia” ou, de forma mais incisiva, “CPI do Genocídio”. Segundo Randolfe, no evento será lançada a obra “Vozes do Brasil: Linguagem Política da Independência”, reproduzindo documentos históricos distribuídos entre a população em 1821 e 1822, antecededendo a declaração da independência. O parlamentar, já se antecipando para frustrar as tendências de golpe, diz que a sessão servirá também de lançamento das programações do bicentenário da Independência, que será festejado no ano que vem.

Liberdade
Perceba, então: 2022, ano eleitoral, pode marcar os 200 anos de 1822 com uma incisiva confirmação do povo de que não admite que ninguém lhe aperte a munheca.

Pancada
Dono de acidez e lucidez nos pontos certos, o perfil “Direita Siqueira” saiu-se com essa na última semana:

Acentuou-se no pequenino questionamento postado o absurdo posicionamento do ministro da Educação contra crianças deficientes, o “terrivelmente evangélico” Milton Ribeiro.

Live
O deputado estadual e advogado Elmano Freitas (PT) tem longa história na vida pública e nos movimentos sociais. Com essa autoridade, o convidei a falar sobre ética na política, juventude, educação e conjunturas. E o desafiei a fazer projeções políticas para 2022. A conversa pode ser acompanhada no link abaixo. Os registros das entrevistas da série Coluna da Hora estão no perfil @robertoamaciel (www.instagram.com/robertoamaciel), no Instagram.

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