Brasileiro no Vale do Silício cria “Google de Startups” e visa a faturar R$ 500 milhões

Quem são, onde estão, quanto receberam de investimento e que soluções oferecem as mais qualificadas startups dos quatro cantos do planeta? O empreendedor brasileiro Luiz Neto, radicado no Vale do Silício há cinco anos, criou uma tecnologia para coletar essas informações de forma mais eficiente e hoje comemora um marco: sua empresa Innovation Intelligence, fundada em março de 2020, se tornou o maior banco de dados online de startups do mundo, com mais de 250 mil soluções cadastradas (20 mil delas brasileiras) e uma seleção valiosa: todas receberam investimentos de venture capital e, portanto, são “validadas” pelo mercado.

Com a meta de alcançar, em 2024, um faturamento anual de 100 milhões de dólares (cerca de 500 milhões de reais), a empresa acaba de receber um aporte pré-seed após um primeiro investimento anjo no ano passado. A nova rodada conta com os escritórios no Brasil e em Londres da empresa global de inovação corporativa The Bakery, ao lado da Falconi– consultoria para geração de valor por meio de soluções em Gente e Gestão (através do seu escritório nos Estados Unidos) –, Alvarez & Marsal (fundo Next A&M) e Smart Money Ventures (do cofundador da Movile/iFood, Fábio Póvoa, e da MC1, César Bertini).

Criada para ser o “Google das Startups”, a Innovation Intelligence tem como um dos principais diferenciais a busca semântica por contexto. “Assim como no Google, por meio de inteligência artificial, o sistema amplia o escopo das palavras digitadas no campo de buscas para encontrar resultados e entende o contexto do que está sendo procurado para trazer os melhores resultados”, diz Luiz Neto, que tem como foco principal facilitar os negócios de inovação aberta e aproximar grandes empresas de startups através dos serviços da plataforma.

Software estará disponível ao grande público em julho

No primeiro ano de existência, a Innovation Intelligence rodou em stealth mode (beta privado) para clientes selecionados como forma de validar a arquitetura do produto. Neto anuncia que, no começo de julho, lançará a nova versão aberta ao público no modelo de assinatura. 

O mercado é promissor e é estimado em massivos 35 bilhões de dólares pelas empresas de venture capital Omers Ventures e Mavfield. Além do investimento dos tradicionais fundos de venture capital, existe o das grandes companhias, que buscam cada vez mais parcerias com startups para inovar, oferecer soluções com agilidade e garantir maior performance.

“As organizações poderão encontrar o que precisam a partir de uma base de 250 mil startups qualificadas. A Innovation Intelligence está posicionada para melhor entender as dores e as necessidades do usuário, mostrando resultados que às vezes ele não esperava encontrar, mas uma vez encontrados o permitam gerar insights valiosos. Por ser uma busca de contexto, a ferramenta expande possibilidades, tornando a pesquisa por soluções ou startups muito mais assertiva, rica em dados e, naturalmente, criativa. É um impulsionador de programas de inovação aberta das empresas, reduzindo riscos, esforços e gastos desnecessários”, explica o CEO e fundador da plataforma.

Sobre a concorrência, no Brasil não há soluções tão completas e entre os players americanos, o de maior destaque é o CB Insights. Neto conta que um dos motivos de ter criado a Innovation Intelligence foi a sua insatisfação com as atuais opções do mercado internacional, que segundo ele são ineficientes e não oferecem uma alta qualidade de busca.

Parceria com a consultoria The Bakery

Para desbravar o mundo das startups, o usuário precisa fazer as buscas adequadas e as perguntas certas dentro da plataforma, combinando as informações encontradas com uma estratégia eficiente de inovação. Outra proposta de Luiz Neto é desenvolver projetos customizados para clientes de quem já atua como consultoria consolidada nesse ecossistema e é capaz de trazer a inteligência para o processo, como é o caso da The Bakery, investidora na rodada e parceira de negócios.

“Acreditamos na Innovation Intelligence como um catalisador da inovação e de novos negócios. Depois de encontrar soluções que dão match com seus objetivos, a corporação vai definir como se aproximar das startups, relacionar-se com elas e acolher a inovação no dia a dia. Mesmo com a solução pronta, pode ser válido realizar adaptações, estudos de viabilidade em novos mercados e testes de implementação. Nessa hora, não basta querer inovar. Tem que saber inovar”, destaca Felipe Novaes, cofundador e sócio da The Bakery no Brasil. 

Assim como a The Bakery, os demais investidores também validaram a qualidade e o potencial de expansão da Innovation Intelligence. “Testamos os produtos, conversamos com investidores atuais da empresa, experts do mercado, clientes e prospects”, detalha Fábio Póvoa, managing partner da Smart Money Ventures.

Tecnologia Big Data para uma plataforma completa

Nos resultados de buscas através da Innovation Intelligence são apresentados, além do resumo da startup e área de atuação, a trajetória de seus fundadores, seus principais skills, dados de concorrentes e clientes, o histórico de investimentos e o perfil dos investidores, entre outras informações colhidas através de fontes variadas com a tecnologia de Big Data proprietária da empresa.

Um dos pontos fortes é a organização de todos esses itens. É possível visualizar uma trilha de informação, por exemplo, com as conexões entre dezenas de investidores, parceiros, clientes e corporações. Com base nos dados e no que as startups têm produzido, as empresas conseguem também identificar tendências em seus setores para definir novos investimentos.

“Existem outras empresas com bancos de dados no Brasil e no mundo que alardeiam números de startups listadas, mas que não são atualizados nem têm uma régua alta em termos de nível de maturidade do negócio e potencial de crescimento. Um pré-requisito para a startup constar na Innovation Intelligence é já ter recebido investimento de venture capital justamente porque, nessa fase, já houve análise de um investidor para identificar se o negócio é escalável, se a ideia é boa e teve aceitação no mercado”, completa Neto.

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