O&M de usinas fotovoltaicas: importância e desafios

Artigo de Paulo Soares, profissional que atua desde 2015 no mercado de energia solar fotovoltaica, com passagem por algumas das principais empresas do segmento de geração distribuída do país. É Bacharel em Física e Mestre em Engenharia Mecânica com ênfase em Sistemas de Energias Renováveis pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente é Executivo de Contas da PV Operation:

À medida que o mercado se expande, cada vez mais integradores tomam ciência da importância de uma boa Operação e Manutenção (O&M), mas falta ainda clareza acerca dos conceitos e práticas desse assunto

A energia solar fotovoltaica experimenta uma forte expansão em sua utilização em todo o mundo. Cada vez mais residências, comércios e indústrias estão utilizando a energia do sol para suprirem as suas demandas por eletricidade. Em fevereiro de 2021 a potência instalada no Brasil era cerca de 8 GW em usinas fotovoltaicas, dos quais quase 5 GW são da chamada Geração Distribuída. Logo, para assegurar os retornos financeiros e ambientais previstos é imperativo uma correta gestão do funcionamento dessas plantas solares.

Em sua última edição, o relatório Global Solar Aerial Inspection 2021 produzido pela consultoria especializada em análises para indústria solar Raptor Maps Inc, afirma que falhas oriundas de usinas fotovoltaicas trouxeram U$ 435 milhões em perdas potenciais ao mercado mundial.

Ainda segundo o relatório, as falhas que mais produziram perdas em usinas fotovoltaicas ocorreram em strings e combiner-boxes, rastreadores (trackers), inversores on-grid e módulos fotovoltaicos. Este último, embora sejam mais numerosos numa usina, são o quinto colocado dentre as causas que mais afetam a geração de energia. A figura 1 a seguir exibe as cinco falhas que mais afetaram a produção fotovoltaica apontadas pelo estudo e seus percentuais de impacto.

Apesar da importância da O&M ser cada vez mais explicita, os integradores do mercado brasileiro ainda não possuem familiaridade com os principais conceitos e práticas relacionadas com essa atividade. No imaginário de muitos, O&M de sistemas fotovoltaicos se limita a limpeza dos módulos e acompanhamento do status da usina nos portais de monitoramento disponibilizados pelos fabricantes/distribuidores dos equipamentos. Muitas vezes com inspeções elétricas e/ou térmicas dos componentes da usina sendo executadas de forma errada ou simplesmente não realizadas.

Com o objetivo de ajudar no amadurecimento do nosso mercado e na expansão da fonte solar, iniciamos esse mês uma série de artigos que trazem os fundamentos da operação e manutenção de usinas fotovoltaicas.

Serão abordados aspectos técnicos e gerenciais da O&M em usinas fotovoltaicas, bem como exemplos de boas práticas adotadas em mercados mais desenvolvidos. Metodologias para planejamento, execução e controle das intervenções de manutenção, gerenciamento de peças sobressalentes, compliance ambiental, aspectos contratuais, principais normas à serem observadas, tecnologias e tendências em análises e ensaios de usinas, infraestrutura de comunicação, gestão dos times envolvidos, serão alguns dos assuntos que iremos abordar nos próximos meses.

Uma vez que os profissionais do setor passem a desenvolver as habilidades necessárias para um O&M de excelência e consolidem as práticas em sua rotina e processos de trabalho, todo o mercado será beneficiado enormemente.

Aumentar a confiabilidade das usinas fotovoltaicas traz benefícios a toda a cadeia. É bom para quem compra, bom para quem vende, para quem instala e para o meio ambiente.

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