Como os Blockchain Games impactam economias emergentes

Os jogos baseados em blockchain, que remuneram jogadores em criptomoedas, os chamados play-to-earn, estão em alta em todo o mundo e, ao que parece, vieram para ficar. Axie Infinity, CryptoKitties, The Sandbox e outros, são jogos que estão criando um novo mercado digital e transformando entretenimento em dinheiro.

O Axie Infinity é o game cripto mais famoso da indústria em franca ascensão. Desenvolvido pela companhia vietnamita Sky Mavisor, o game permite que os jogadores ganhem dinheiro por meio de tokens não fungíveis (NFTs, na sigla em inglês). Na prática, os gamers colecionam Axies (monstrinhos na forma de NFT), montam times com essas criaturas e disputam batalhas dentro do jogo. Os usuários podem lucrar com a criação e venda de axies e Small Love Potions (SLP), um token que funciona como o “dinheiro do jogo”.

Atualmente, o jogo tem cerca de 350.000 jogadores diários. De acordo com a plataforma de rastreamento de games Play Counter, mais de 40% dos jogadores do Axie estão nas Filipinas; 6,31% na Venezuela; 5,72% nos Estados Unidos; 4,73% na Tailândia e 3,29% no Brasil. 

Conforme destacou Felipe Escudero, analista de criptomoedas e anfitrião do canal BitNada, a tecnologia blockchain mudou a forma como os games são encarados. Isso porque, até pouco tempo atrás, para ser um gamer profissional, o jogador precisava se destacar.

“No entanto, com a nova economia em blockchain, qualquer pessoa pode ser remunerada jogando os Blockchain Games. No Brasil, temos o caso de superação de Jonathan Alves Cordeiro, o “FuryosoRJ”. Jogando Axie Infinity, ele conseguiu construir uma estrutura financeira suficiente para deixar a favela Cidade Alta, no Rio de Janeiro. Isso é incrível! É a blockchain incluindo pessoas numa nova economia.”

Como mencionado por Escudero, além de virarem uma febre global, os jogos em blockchain estão se tornando uma fonte de renda considerável para milhares de pessoas, especialmente em economias emergentes como Venezuela e Filipinas. Talvez o caso das Filipinas seja o mais emblemático. Afinal, o boom do jogo foi tão expressivo no país que tem ajudado a população local em tempos de crise agravada pela pandemia de Covid-19 a conseguir uma renda extra, ou então, uma fonte de renda principal.

Um documentário recente chamado “Play-to-earn” – NFT Gaming nas Filipinas” conta a história de uma pequena comunidade rural nas Filipinas que passou a jogar Axie Infinity para ganhar uma renda em criptomoedas durante a pandemia. O vídeo revela como o fenômeno do jogo está criando novas oportunidades para milhares de jogadores, especialmente em economias emergentes onde faltam oportunidades de trabalho. Há casos de jogadores que conseguem obter uma renda mensal de cerca de R$ 2,1 mil, um valor acima do salário-mínimo local que é de cerca de R$ 1.570.

A adoção do jogo no país do sudeste asiático é tão expressiva que, recentemente, o Departamento de Finanças das Filipinas anunciou que os ganhos do jogo estão sujeitos à declaração do imposto de renda. O DOF alegou que, embora os tokens do jogo não sejam regulamentados no país, o imposto sobre os ganhos será cobrado mesmo assim.

Para Paulo Aragão, especialista em criptomoedas, cofundador do CriptoFácil e host no Bitcast, este é mais um exemplo de como o mercado de criptoativos pode ajudar economias emergentes de distintas formas.

“Diversas pessoas desses países têm transformado os jogos em uma forma de se sustentar. É mais do que natural que os governos comecem a olhar para esse dinheiro entrando no país e pensar em alguma forma de tributar. E por ser algo novo, vai ser um desafio pensar em algum modelo que seja – ao menos – justo.”

Segundo Aragão, esses jogos baseados em blockchain ainda têm muito a evoluir e o futuro é imprevisível: “Ainda não sabemos qual o limite”, completou.

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