Fake news persistem e prejudicam imunização e enfrentamento da #covid19

Texto do jornalista Marcelo Raulino, no site da Câmara Municipal de Fortaleza:

Além do enfrentamento da mais grave crise sanitária do século, ocasionada pelo novo coronavírus, as autoridades mundiais tem enfrentado também outro tipo de pandemia, a da desinformação, disseminada pelas chamadas fake news. Recentemente o Facebook divulgou um relatório com os links mais vistos na rede social nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2021, e em primeiro lugar aparece uma notícia no site de um jornal americano que atribuiu equivocadamente a morte de um médico à vacina contra a covid-19.

Depois da repercussão, duas semanas depois o conteúdo da matéria foi atualizado para informar que uma análise de peritos apontou não haver evidências de que a vacinação causou a morte do homem, mas a esta altura o texto já havia se espalhado feito rastilho de pólvora principalmente pelos movimentos negacionistas contra as vacinas. Essa notícia teve 54 milhões de visualizações de usuários do Facebook, segundo o relatório Widely Viewed Content.

Em recente live promovida pela Universidade de São Paulo, o tema foi “As fake news que atrapalham a vacinação”. Para a jornalista e editoria de Ciências do Jornal da USP, Luiza Caires, que participou da live, as empresas donas das redes sociais não são as vilãs, mas são cúmplices. “Existem pesquisas que mostram a nocividade das notícias falsas, como a realizada na Inglaterra que aponta que 58% das pessoas que saíram do isolamento social, mesmo tendo sintomas, fizeram isso a partir de informações falsas que viram pelo Youtube. Já outras 60% que acreditam que os sintomas da Covid-19 tem ligação com o 5G, também viram essa informação por essa rede social”, afirma.

Outra participante dessa discussão, a biomédica e coordenadora da Rede Análise Covid-19, Mellanie Fontes-Dutra observa que pode ser percebido que as fake news seguem geralmente um mesmo padrão: ”traz um discurso que apela para o lado emotivo; traz elementos que atingem as pessoas ansiosas, aflitas e com vulnerabilidade; trazem uma linguagem acessível e mais atrativa”, avalia. Mellanie cita outros tipos de notícias falsas, como aquela que usa um conteúdo verdadeiro para explicar um contexto não verdadeiro e aquelas com conteúdo fabricado, que se vale de armadilhas mentais. Também as que são disseminadas por lideranças que têm credibilidade, os chamados influenciadores digitais.

Para o professor Edson Teixeira, do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia de Recursos Naturais da Universidade Federal do Ceará, o hábito de mentir, caluniar e disseminar notícias falsas é antigo, mas agora estão com nova roupagem a partir das redes sociais. “Ora, quando uma informação sobre um assunto ganha a visão das pessoas, que hoje em dia andam com um tablet ou um celular na mão, é claro que isso é prejudicial, mas quando isso prejudica a vida das pessoas isso é muito mais grave, pois trata-se de cuidar ou não cuidar da saúde em um momento pandêmico”, comenta.

Diz que as notícias falsas têm prejudicado muito, tanto o enfrentamento de forma geral da pandemia, quanto a imunização. Ressalta que os EUA acabam de aprovar de forma definitiva e inequívoca que a vacina Pfizer/Bionthec é eficaz, “portanto espera-se que agora as fake news com relação as vacinas nos Estados Unidos e ao redor do mundo diminuam para que o processo de imunização seja completado”, salienta.

Antifake

A disseminação de notícias falsas motivou o Governo do Estado a criar uma agência de checagem de dados, formada pelas equipes técnicas e de comunicação das secretarias e órgãos vinculados. A Antifake-CE surgiu mediante duas demandas: primeiro, servir como canal de esclarecimento para a sociedade de informações claramente distorcidas que viralizam em redes sociais, servindo de tira-dúvidas para a população; outra função é estabelecer um espaço oficial para a população recorrer e constatar a veracidade ou não de determinada notícias ou postagem. “Não raro, éramos procurados por e-mail, redes sociais do Governo e outros meios, para estabelecer esse tipo de esclarecimento, mas sem a metodologia que move a agência e sem o caráter de repositório”, afirma a assessoria de imprensa do Governo do Estado.

Observa que os fatos são analisados mediante a quantidade de vezes em que são denunciados pela população. “A partir deste momento, o grupo de jornalistas entra em contato com os técnicos das pastas para prestar o esclarecimento e checar se a informação procede ou não. Em ambos os casos, a matéria sempre vai além da mera constatação de fake ou não, mostrando as fontes e o nome do especialista que ancora a informação”, detalha.

Desde 2020 a agência produziu aproximadamente 650 respostas principalmente através do WhatsApp e e-mail, somente este ano foram 300 respostas. O Governo do Ceará também publica notas na página dedicada à agência Antifake estabelecendo a verdade e ampliando informações sobre a pandemia. Entre as principais fakes a assessoria cita vídeos ou fotos envolvendo hospitais de outros estados como sendo do Ceará; dúvidas sobre medicamentos para tratamento precoce; boato de que seriam multados condutores de veículos sem máscara; e fake news sobre lockdown sem confirmação oficial. A ideia é a continuidade do serviço após a pandemia. Instituições públicas como o próprio Ministérios da Saúde possuem serviços similares.

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