Desempenho negativo do agro pode prosseguir nos próximos trimestres, afirma economista

O PIB brasileiro do segundo trimestre do ano recuou em 0,1%, de acordo com o IBGE. O agronegócio, que apresentou bom desempenho em um cenário de desvalorização do dólar nos últimos trimestres, cedeu à conjuntura negativa e não repetiu as altas anteriores, apresentando queda de 2,8% — a maior baixa entre os setores analisados pelo IBGE.

Para Leonardo Trevisan, economista e professor da ESPM-SP, o real desvalorizado em relação ao dólar hoje tem menor peso quando comparado a uma conjuntura econômica mais negativa para o setor. Dois pontos se destacam na análise do economista: o deslocamento das compras chinesas para os Estados Unidos e as condições climáticas adversas no Brasil. “Apesar dos confrontos aparentes entre China e Estados Unidos, os chineses têm comprado mais do agronegócio americano do que do brasileiro”, diz Trevisan. “Isso tem grande impacto entre os produtores de soja e milho — produtos nos quais os Estados Unidos são competidores. Além disso,  a China está desacelerando, o que diminui a demanda por produtos do setor.”

O cenário de estiagem prolongada e as fortes ondas de frio que atingiram as regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil também não ajudaram os produtores do agronegócio. “O cenário é bastante complexo e deve continuar a influenciar negativamente os resultados do agro nos próximos trimestres”, afirma Trevisan.

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