Marketplace lança primeira linha privada de crédito para aquisição de terrenos e para construção

A tendência de desburocratização do acesso ao crédito chegou forte no mercado imobiliário. Como alternativa aos modelos de análise tradicionais dos bancos, fintechs e proptechs vêm disponibilizando linhas próprias para atender um público cada vez mais nichado. Em 2020, o saldo das operações de crédito no país atingiu R$ 4 trilhões, o que representou um crescimento de 15,5% em relação a 2019, de acordo com o Banco Central (BC), sendo que as fintechs de crédito correspondem a 14,4% desse setor no Brasil.

“O objetivo é proporcionar uma experiência mais rápida, inteligente e flexível aos brasileiros se comparada aos grandes bancos, que historicamente exigem muito mais documentos e comprovações de renda por não conhecerem seu público”, afirma Diego Carielo, sócio e cofundador da Minha Casa Financiada, startup que, neste mês de setembro, lança suas primeiras linhas privadas de crédito imobiliário, incluindo a primeira do Brasil para aquisição e construção em lotes residenciais, mercado em franca expansão desde o início da pandemia.

Desde que foi fundada, em janeiro de 2020, a proptech já viabilizou mais de R$ 1,6 bilhão em crédito para aquisição e construção em terrenos em parceria com a Caixa Econômica Federal. O número corresponde a cerca de 40% do total ofertado pelo banco público, que detém 98% deste mercado no Brasil. Agora, a startup, que se popularizou comprovando que construir pode ser até 50% mais barato do que comprar um imóvel pronto, vai atuar também com financiamentos próprios. A projeção é de que as linhas privadas movimentem R$ 1,5 bilhão em 2022, alcancem R$ 2,5 bilhões em 2023 e cheguem a um total de R$ 5 bilhões até 2024.

Para atuar também como instituição financeira (até aqui, a startup se monetizava exclusivamente conectando tomadores de crédito com a Caixa e com uma base de cerca de 3.000 construtores cadastrados em sua plataforma), a Minha Casa Financiada buscou parceria com uma empresa habilitada pelo Banco Central a atuar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). “Ela securitiza os valores negociados entre nós e os clientes, garantindo as lisuras no processo para ambas as partes, e nós repassamos o montante contratado pagando ao parceiro um fee por operação”, explica Vinicius Motta, sócio e cofundador da Minha Casa Financiada.

Linhas de crédito

As duas linhas de financiamento oferecidas a pessoas físicas pela Minha Casa Financiada a partir de setembro são mais flexíveis, podendo não só destravar valores mais altos como atender um público desacreditado pelos bancos: aceitam comprovação tanto de renda formal quanto de renda informal como complemento da carta de crédito, avaliam perfis com restrição cadastral e possibilitam a alienação de terreno como garantia (as linhas mais tradicionais do mercado só aceitam imóveis prontos como garantia). Também terão as taxas de serviço inclusas no financiamento e poderão ser contratadas totalmente online, por meio do site da empresa. “Além de todas essas facilidades, ainda disponibilizamos um simulador detalhado para os clientes terem ideia do valor mais próximo do real necessário para realizarem seus sonhos, incluindo uma equipe dedicada a auxiliá-los com a digitalização dos documentos e outras dúvidas. Com a maior agilidade no processo, a previsão é que o tempo para o dinheiro entrar na conta bancária dessas pessoas ocorra em torno de uma semana”, detalha Vinícius Motta, da Minha Casa Financiada. 

●        Construção Financiada

Considerada a primeira linha de crédito privado para aquisição e construção em terreno próprio. Taxa: 0,74% a.m + IPCA.

●     Home Equity

Com essa linha, a Minha Casa Financiada pretende expandir sua atuação em um tipo de construção altamente demandada pelos seus clientes e construtores: as kitnets e casas geminadas. “Na verdade, como é de costume, esse financiamento pode ser usado para qualquer fim, como uma viagem ou estudos. Mas elaboramos esse produto ouvindo nossos clientes, principalmente os que enxergam esse mercado como uma boa alternativa de investimento”, conta Vinicius Motta. Podendo atender também a aquisição de estúdios em grandes centros urbanos, o valor do home equity oferecido pela startup pode chegar a até 60% do valor imóvel como garantia, sob uma taxa de 0,74% a.m + IPCA.

●    Incorporação imobiliária

Destinado a construtoras e incorporadoras, esse financiamento vai atender projetos multifamiliares entre R$ 2 milhões e R$ 200 milhões, com taxas e condições negociadas caso a caso.

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