Visita de cônsul dos EUA à Universidade Zumbi dos Palmares reforça parceria

“O governo americano e o consulado em São Paulo têm uma parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares (SP) desde a visita da então secretária de Estado Hillary Clinton, e a colaboração entre ambos já resultou em diversas iniciativas.” A afirmação é do cônsul-geral dos Estados Unidos, David Hodge, e foi feita na Universidade, durante o evento Diálogo sobre a Agenda Racial Brasil-Estados Unidos, promovido pela instituição comunitária de ensino superior e pelo Centro de Estudos e Pesquisa Segurança do Futuro.

Entre as iniciativas, o cônsul destacou o programa Dream, que significa Diversidade, Representatividade e Equidades nas Missões Diplomáticas Americanas. “O grupo inicial”, lembrou Hodge, “era desta universidade”.

Ao lembrar o assassinato do negro americano George Floyd por um policial na cidade de Minneapolis, o reitor José Vicente destacou que “vimos como os americanos e até mesmo os policiais denunciaram a morte e, mais ainda, como o presidente Joe Biden, além de nomear vários secretários negros, vem defendendo a equidade racial”.

O reitor afirmou ainda que “conta com a parceria e colaboração do governo e do consulado americanos para aprimorar a agenda da equidade racial”. E disse que, juntamente com órgãos de segurança e o próprio Conselho Nacional de Justiça, pretende colaborar para a construção de um ‘novo normal’ no Brasil e que espera que os problemas e situações vivenciadas hoje pelos negros sejam totalmente superados. “Vai ser necessário muito diálogo e muito consenso, mas a academia pode ajudar com a prática”.

Participaram do evento também o secretário executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, Antonio Fernando Pinheiro Pedro, que ressaltou sua intenção de incluir “o negro na luta de São Paulo pelo clima e pela justiça ambiental” e fez questão de destacar que espera que o exemplo da Universidade Zumbi dos Palmares “frutifique em outros estados brasileiros”.

Representando Marta Suplicy, secretária municipal de Relações Internacionais, a coordenadora do programa São Paulo Farol Antirrascista, Adriana Vasconcelos, enfatizou que o “racismo atinge todas as pessoas e não apenas o negro” e que “conta com a ajuda de toda a sociedade para combater o racismo estrutural”.

Encerrando o evento, o professor Raphael Vicente, coordenador dos cursos da Universidade Zumbi dos Palmares, disse que “o Brasil tem dificuldade de reconhecer o racismo e é uma máquina de moer sonhos de jovens negros”. Ao salientar a importância do programa Dream, que deu a alunos da instituição a possibilidade de aprender relações internacionais com profissionais do consulado americano, Vicente lembrou dados de uma pesquisa do Instituto DataFolha, segundo a qual 89% dos consultados avaliaram que há racismo no Brasil, enquanto 92% afirmaram não ser racistas.

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