Evento de financeiras aponta perspectivas para o setor automotivo

A pandemia do novo coronavírus impôs nova dinâmica no mercado automotivo, que se viu desafiado, como nunca, em melhorar o ambiente de negócios e a competitividade. Nesse ambiente, que acelerou a digitalização das empresas, a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) reuniu especialistas, nesta semana, na live “Financiamento de Veículos: Digital e Presencial na Geração de Negócios”.

Na abertura do encontro, com dois dias de programação, Luis Eduardo da Costa Carvalho, presidente da Acrefi, ressaltou a importância do evento para toda a economia do País. “Financiamento de veículos é o motor da economia. Ninguém tem dúvida da importância da indústria automobilística e, mais do que nunca, do financiamento para a compra de veículos. Então, estamos satisfeitos em fazer parte dessa ação”, afirmou.

Marcelo Franciulli, Diretor Executivo da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Febrave), destacou o peso do crédito nas vendas do setor. “Falar da importância do financiamento para o setor de veículos é chover no molhado. O nosso setor depende muito do crédito e das condições de financiamento. No segmento de autos e caminhões, cerca de 50% das vendas são através de financiamento, e no caso das motocicletas na faixa de 37%”, afirmou. 

Franciulli contextualizou ainda o momento do setor. Segundo ele, as carteiras de crédito seguem com boa qualidade, apesar da crise, e os índices de inadimplência estão ainda sob controle, mas há algumas preocupações. “A pandemia desorganizou as cadeias produtivas não só no Brasil, mas no mundo todo. Isso acarretou em aumento de custos para todos segmentos, o que vem se refletindo nos preços e descontrole da inflação. Já temos os reflexos nas taxas de juros. São esses pontos que merecem atenção. O lado bom dessa pandemia é que o setor acelerou seu processo de digitalização e está bem preparado, integrado a todos os canais e plataformas”, avalia.

De acordo com o Diretor Executivo da Fenabrave, há duas pautas que a entidade trabalha diuturnamente. “O Renave (Registro Nacional de Veículos em Estoque), que é uma ferramenta que traz muito segurança para o consumidor e para quem financia. Seguimos firmes nesse propósito. A Fenabrave, com outras entidades congêneres, apresentou proposta comum para o Programa de Renovação da Frota, assim como vêm lutando para a implantação deste Renave, além da desjudicialização da lei de retomada de veículos inadimplentes”, defendeu.

Luana Bichuetti, Vice-Presidente de Auto da Creditas, focou sua visão no cliente final que está adquirindo um veículo e na necessidade de impulsionar o ecossistema. “Queremos focar nesses clientes, que estão tomando crédito. Precisamos ajudar esse ecossistema para que o País avance, de forma uniforme, e a economia cresça. O digital é um aliado, embora a presença física seja importante nesse processo. O digital pode ser humano e próximo nesse sentido – e estamos aqui para atender a necessidade do parceiro e do cliente”, destacou Luana.

Agustin Celeiro, Diretor Sr. de Operações do Banco GM, disse que o banco de montadoras visa apoiar produtos e serviços para liderar vendas. “Durante a pandemia, estivemos muito perto da GM e, em tempo recorde, desenvolvemos soluções de cobranças e processos. O processo é 100% on-line, o que ajuda em apoio das concessionárias”, expôs.

Alexandre Gil, Head Comercial de Negócios e Produtos da Safra Financeira, falou dos impactos da implantação do Open Banking no setor. “O que o Banco Central está querendo fazer é aumentar a concorrência entre os bancos e quem ganha com isso? Respondo: toda cadeia. O Open Banking, sem dúvidas, que é bom para o consumidor final e para todo o ecossistema de veículos que trafega nesta direção. Se temos mais subsídios e informações, o crédito será mais assertivo, a qualidade do crédito melhora. É bom para o lojista, para a concessionária, que tem mais chances de elevar o nível de aprovação dos seus clientes, e as condições de financiamento também melhoram. É mais ou menos colocar os bancos em pé de igualdade”, ponderou.

Celso Rocha, Diretor de Distribuição e Varejo do Banco BV, mencionou o papel do financiamento como braço auxiliar na aquisição de um sonho de uma pessoa, mas também ressaltou que é preciso avaliar os impactos dos veículos no meio ambiente. “Precisamos pensar que isso gera um impacto no meio ambiente, até porque, o veículo é agente de poluição. Recentemente, a gente divulgou o nosso compromisso no Brasil de compensar 100% de CO2 na nossa carteira, sem nenhum custo adicional para os nossos clientes. Lançamos ainda uma linha de crédito para veículos híbridos – com olhar no ESG – para incentivar essa redução de impacto”, declarou

Marcos Zaven, Presidente da Honda Serviços Financeiros, falou dos desafios enfrentados em um ambiente digital e mais competitivo. Segundo ele, durante os 50 anos da Honda no Brasil, comemorados em 2021, a empresa passou por diversas inovações, sendo a pioneira na venda de cotas de consórcio de forma digital. “Recentemente lançamos o aplicativo da Honda Serviços Financeiros, que está mais completo e integrado. E também lançamos o ecommerce e um blog. A informação é o principal material. A utilização dos sistemas de TI é essencial para ganharmos competitividade. Temos atuado de forma consistente na digitalização em linha com o comportamento dos consumidores. Não há outro caminho a não ser seguir essa estratégia de inovação”, afirmou.

Tadeu Silva, presidente da Omni, falou do crescimento do mercado de carros usados neste ano, de 63% no primeiro semestre do ano, e o aumento da concorrência nesse segmento. “O mercado de usados ficou muito bom, ganhou espaço. Ficamos animados, mas a vida não é fácil para os pequenos. Em pouquíssimo tempo havia outros players atuando nesse segmento. Achamos que esse é um movimento é natural. Quem ganhou com isso foi o cliente que contou mais opções de crédito. Com o aumento de concorrência, vamos colocar a experiência na mesa para continuar crescendo”, finalizou.

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