A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 23.9): A Folha é falha – sem ironia! – ao alegar “apoio à Democracia” para pedir dinheiro

  • Já indicamos em edições anteriores desta Coluna que o golpismo está dando repetidos sinais de que perdeu o fôlego. Mas é possível enxergar sinceridade no que muitos veem como “autocrítica”? Não, nem de longe. Abordamos aqui apreciações dos jornalistas Ruth de Aquino, da revista Época (do Grupo Globo), e Ricardo Noblat (site Metrópoles), que para muitos analistas políticos soam como o reconhecimento de que se cometeu um erro cavalar no apoio às maquinações que resultaram, em 2016, no impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Uma
O texto sobre Ruth está aqui. O que aborda Noblat (também mencionando a jornalista da Época) pode ser lido neste link.

Isso não são detalhes
Mas a uma autocrítica que mereça as calças que veste não basta perder o fôlego. É necessário admitir falha, apurar responsabilidades, atribuir a culpa a si, relacionar medidas corretivas e firmar o compromisso de implementá-las, submetendo-se às penas da lei ou das tradições coletivas. Sem isso, quaisquer gestos que se pretendam nesse sentido serão flácidos, vazios, invertebrados. O jornal “Folha de S. Paulo” tem feito, no mesmo ritmo em que perde leitores – inclusive para uma empresa sob o mesmo arco, o portal de notícias Uol -, campanhas para estancar a sangria financeira. Como essa:

Não tem esse direito
Não tivesse a “Folha de S. Paulo” apoiado a ditadura dos militares imposta em 1964 seria aceitável que estivesse agora, no aperto financeiro, apelando para a Democracia. Não tivesse a empresa ido além de manchetes favoráveis, chegando a emprestar carros para órgãos de repressão caçarem adversários do regime autoritário, até se compreenderia o pedido de clemência. Não tivesse atentado, ela mesma, contra a inteligência dos leitores, contra a história e os direitos humanos, admitir-se-ia a mão estendida por dinheiro. Mas foi a própria “Folha” que, em 17 de fevereiro de 2009, classificou como “ditabranda” intervenção violenta nas instituições, as perseguições, o fechamento de jornais, os exílios, as torturas e mortes registradas (e também as não registradas) no Brasil dos generais.

Continua, é? Conta outra…
Assim publicou a Folha, “defensora” da Democracia, em 3 de abril de 1964 – pouco dias depois do golpe: “Voltou a nação, felizmente, ao regime de plena legalidade que se achava praticamente suprimido nos últimos tempos do governo do ex-presidente João Goulart. E isto se fez, note-se, com o mínimo traumatismo, graças ao discernimento de nossas Forças Armadas, que agiram prontamente para conter os desmandos de um político que, cercado de assessores comunistas, procuravam manobrar o país de acordo com o pensamento desse reduzido grupo e em ostensivo desrespeito às melhores e mais caras tradições de nossa gente. (…) O dever que agora se impõe a todos é o do trabalho, sem dar atenção a possíveis boatos que alguns agitadores ainda queiram lançar aqui e ali, em desespero. E é de esperar que o façam, pois nunca, na história desse país, eles estiveram tão perto de conseguir os seus ideais de, embora contra a vontade do povo, instalar no Brasil o regime comunista. (…) Dentro dos quadros da legalidade, confiantes no processo democrático, e esperançosos de que voltem ao bom caminho, os políticos eventualmente desviados das graves responsabilidades que têm perante o povo e a nação, olhemos o futuro com olhos otimistas e digamos com inteira convicção a frase que serviu de título ao suplemento que, quase se diria por uma espécie de premonição, publicamos juntamente com nossa edição do dia 31 do mês passado: O BRASIL CONTINUA”.

Não toma jeito
Chegando mais perto do atual pedido de socorro da “Folha de S. Paulo”, o jornal publicou em 23 de agosto de 2020 outro editorial polêmico: comparou alhos com bugalhos, sob o título “Jair Rousseff” – uma concepção chula para tentar desmerecer a presidenta que havia sido despachada do Planalto pelo lava-jatismo, as conspirações do PSDB, as manobras de Eduardo Cunha, as mobilizações do MBL e as fake news do bolsonarismo. Vamos concordar: a “Folha” representa uma aliança de forças que, em episódios distintos, afundaram o País em problemas gravíssimos e de longo prazo. O Estado Novo, o golpe militar de 64, as armações de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o “petrolão”, a destituição de Dilma e o bolsonarismo estão relacionados na essência e na história. São retalhos costurados com as linhas do conservadorismo e da exclusão social.

Diálogo
A Prefeitura de Maracanaú, município da Região Metropolitana de Fortaleza que abriga dezenas de indústrias de pequeno, médio e grande portes, abriu as portas para o Sistema Fecomércio Ceará. O presidente da entidade, Luiz Gastão Bittencourt, e se reuniu com o prefeito Roberto Pessoa para debater parcerias por meio do Sesc (serviço social) e Senac (serviço de ensino).

Bufunfa

London Interbank Offered Rate (LIBOR) Definition


Começou a tramitar na Assembleia Legislativa projeto que autoriza o Governo do Ceará a fazer aditamentos contratuais a operação de crédito externo cuja finalidade seja a substituição da taxa de juros aplicável a essas operações. Trata-se de uma medida que encaixa peças da economia no quebra-cabeça jurídico-administrativo. O texto, encaminhado pelo Palácio da Abolição à AL, faz menção à London Interbank Offered Rate, taxa referencial para empréstimos internacionais.

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