A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 30.9): O PIB do Ceará cresce e o do Brasil desce; isso terá óbvio reflexo político em 2022

  • O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará registrou crescimento de 18,39% no último trimestre, se comparado ao mesmo período de 2020. Já o Brasil cresceu em igual intervalo 12,4%. Não só: entre os primeiro e segundo trimestres deste ano o Ceará avançou quase 1% (0,8%), enquanto o PIB do Brasil caiu 0,1%. “É uma notícia positiva, importante pro Ceará; estamos gerando empregos”, disse o governador Camilo Santana (PT), com óbvia obviedade (desculpem-me a redundância). Mas há razão para o destaque de Camilo. Ele mesmo explica: “Carteira assinada e emprego significam dignidade. Não temos medido esforços, procurando contatos com empresas cearenses, nacionais, e internacionais. E, segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado, a previsão que o PIB do Ceará cresça mais 6,24% comparado com o ano passado, enquanto o Brasil, por exemplo, deverá ser de 5,75%; ou seja, vamos continuar crescendo acima dos números do Brasil”.
Mais Empregos Ceará: programa que vai criar 20 mil novos empregos começa a  cadastrar as empresas na segunda-feira (6) - Governo do Estado do Ceará

O que vem por aí
O que se pode observar agora é que dados como esses tendem a ganhar força nos cenários políticos e eleitorais de 2022, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, 1/3 dos senadores e deputados federais e estaduais. Esse já não é, por si, um contexto simples. Numa sequência de situações como a que o Brasil vive – inclusive com repetidas ameaças de golpe de Estado perpetradas pelo presidente da República e pela CPI que dia após dia desnuda esquemas que, somados à pandemia do coronavírus, tiraram mais de meio milhão de vidas -, é lógico que o quadro fique mais dramático. Cada um usará, portanto, os argumentos que tem.

Uma radiografia que mostra uma imensa mancha na alma nacional
A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura aproveitou o marco cronológico dos mil dias de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil e fez uma detalhada radiografia da gestão. E o que apresenta não é, nem de longe, assemelhado a qualquer diagnóstico otimista dos aliados do Planalto – inclusive os donos do agronegócio. Diz a Contag que “enquanto os países desenvolvidos fazem planos de investimentos milionários para recuperar o tempo perdido, no Brasil o Estado continua jogando parado”. Em momento de inquestionável necessidade de planejamento e ações para mitigar os efeitos da pandemia da covid-19, que já está chegando a 600 mil mortos no País, esse imobilismo, diante de tantas graves evidência, soa como agressão voluntária e dolosa à humanidade.

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Dizimação
Diz a Contag, já observando o cenário que se avizinha: “A queda de 36% no investimento público federal, previsto para 2022 no orçamento enviado ao Congresso nos 1.000 dias de governo, sinalizam a impotência do governo diante da crise. As previsões do mercado para este e para o próximo ano se deterioraram rapidamente nos últimos meses, revelando a falta de credibilidade do mercado com a recuperação do País”. E mais: “O retorno ao trabalho e a volta da atividade econômica carregam as marcas da crise. A inflação cresceu 156% de janeiro de 2019 a agosto de 2021. O desemprego cresceu 18% do início do governo até o último mês de junho, o número de desempregados subiu 14%. Ao mesmo tempo, o número de trabalhadores(as) com carteira assinada caiu 9%, enquanto os autônomos sem CNPJ cresceram 4%. O Brasil tem cada vez mais trabalhadores(as) no informais, sem direitos, e cada vez menos trabalhadores(as) protegidos pela legislação trabalhista. A pandemia mostrou o perigo e o sofrimento desses trabalhadores e trabalhadoras mais precários(as), os que mais sofreram com a crise sanitária e econômica. O rendimento médio do trabalho caiu assim como a renda per capita”.

Parada obrigatória
Cinquenta agentes de Autarquia de Trânsito e Cidadania (AMC) de Fortaleza formaram frente na preservação de vidas, doando sangue e plaquetas e fazendo cadastro para doação de medula óssea. A solidariedade responde a campanha por apoio ao tratamento da jornalista Marina Alves.

Não é aqui não!
Alinhada ao negacionismo, bolsonarista, a deputada Silvana Oliveira (PL, abaixo) iniciou na Assembleia Legislativa do Ceará uma peroração contra a obrigatoriedade de vacinação para participantes de eventos religiosos. Sabe onde isso está sendo exigido? Em Pernambuco. Isso mesmo: em outro estado. “O que o governador de Pernambuco (Paulo Câmara, PSB) faz, de maneira descabida, é enfrentar as igrejas, violando direitos constitucionais básicos adquiridos, cerceando a liberdade presencial dos cultos”, reclama.

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Conversa
Evangélica e médica, frequente agressora da memória do educador Paulo Freire, crente de que existe um modelo didático chamado “ideologia de gênero”, Silvana até que tenta explicar o novo ataque à vacina. Diz ela que a intenção é impedir que o mesmo ocorra no Ceará. Na verdade, o que está fazendo nada mais é do que “jogar para a plateia” – tentando posar como alguém que intimidou o Poder.

Coluna
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