Painel de desigualdades educacionais evidencia gravidade do cenário no Brasil

Para ajudar a compreender o cenário da educação básica do país, o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação (Cenpec) lançou o Painel de desigualdades educacionais no Brasil, que permite um acesso fácil e simplificado aos dados e análises sobre o assunto.

Conforme Romualdo Portela de Oliveira, diretor de pesquisa e avaliação do Cenpec, a criação desse material vem ao encontro de dois objetivos: “O primeiro é facilitar o acesso às informações já disponíveis e públicas sobre a educação. Em segundo lugar, o Painel tem um papel de ser educativo, ou seja, de sensibilizar e apoiar famílias, estudantes, professores e professoras, gestores e gestoras educacionais, pesquisadores e pesquisadoras, a mídia, além de toda a sociedade, na construção de ações de enfrentamento dessas desigualdades educacionais.”

Na prática, usuários poderão navegar por dados e análises a partir de duas entradas. A primeira está relacionada aos resultados de permanência escolar, que abarcam números de reprovação, distorção idade-série e abandono escolar. Nessa área, é possível visualizar esses dados atrelado às análises a partir do contexto de estudantes, das escolas ou dos territórios brasileiros. E para cada contexto, existem filtros que ajudam a pensar esses dados a partir de marcadores sociais: no caso de estudantes, é possível filtrar pelo perfil de sexo e raça/cor; para o contexto escolar, a dependência administrativa, ciclo ou etapa da educação básica e ano/série; e sobre os territórios, as regiões, estados e localizações rural ou urbana.

A segunda entrada direciona um olhar para a formação inicial docente no Brasil, fator fundamental para se pensar as condições de oferta educacional do país. A partir de então, é possível filtrar os dados por estado e município, pela etapa de ensino, pela própria escola, e ainda por zona rural ou urbana.

No lançamento do Painel, Romualdo ressaltou que a ferramenta permite visualizar um cenário em que as desigualdades educacionais se sobrepõem e potencializam. Exemplo disso é que em alguns estados onde há maior distorção de idade-série, também é possível perceber que nesses locais existe uma oferta maior de professores sem formação acadêmica adequada. “No fundo, o combate às desigualdades demanda uma ação sistêmica, atacando diversos problemas, ainda que seu fenômeno aparente esteja em uma dimensão”, conclui o especialista.

Além de dados comentados, o Painel traz ainda uma série de conteúdos temáticos que ajudam a compreender o contexto histórico das desigualdades e as políticas públicas voltadas ao enfrentamento desse cenário. De modo complementar, a plataforma pretende inaugurar, em breve, uma Comunidade de ações para a equidade, em que docentes, gestoras(es), pesquisadoras(es) e demais interessadas(os) poderão compartilhar iniciativas que fazem a diferença e ajudam a transformar a educação brasileira.

No lançamento do projeto, a presidente do Conselho de Administração do Cenpec, Anna Helena Altenfelder, enfatizou que o Painelé um material dinâmico e contará com atualizações constantes de dados, além de prever a inclusão de novos filtros e categorias de análises.

Altenfelder ainda reforçou que a iniciativa não tem a mesma pretensão dos rankings escolares, muito comum em materiais que abordam o cenário educacional do país. A principal contribuição deste Painel é promover a compreensão, de modo contextualizado e acessível, das desigualdades que permeiam a educação básica brasileira, para que tomadores de decisão e outras pessoas engajadas com a educação tenham subsídios para atuar na reversão desse cenário. “Um ponto importante do nosso Painel é entender o contexto histórico [das desigualdades]. Quando trazemos dados como o dos alunos, de sexo, raça e outros marcadores sociais, queremos olhar para essas informações de desigualdade para, assim, entender quais caminhos podemos seguir”, argumentou Anna Helena.

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