Como gestores devem agir perante depressão e ansiedade dos colaboradores

Durante a pandemia de covid-19, muitos profissionais precisaram se adaptar à realidade do home office. Além da preocupação com o contágio, o isolamento social na maior parte do dia, com o aumento de encargos da vida, gerou crescimento dos casos de depressão e ansiedade. Para garantir a saúde mental dos colaboradores, os gestores devem ficar atentos a alguns sinais, para poderem se tornar parte da rede de apoio daqueles que precisam de ajuda psicológica neste momento desafiador.

“A rigidez é inimiga da flexibilidade do home office. As pessoas perfeccionistas, que se cobram muito, não querem aparecer na videoconferência com barulho de crianças e cachorro no fundo, aqueles que não se adaptaram ao novo momento, podem adoecer”, exemplifica a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro do Conselho Científico da Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos), que lançou a campanha “Bem Me Quer, Bem Me Quero: O diálogo sobre depressão e ansiedade pode salvar vidas” junto com a Viatris, empresa global de saúde.

O profissional em risco é aquele que passa a mostrar um comportamento de pouca interação cibernética. Alguns indicativos são motivo de preocupação, como ficar muito tempo nas reuniões com a câmera desligada, não interagir com a equipe como antes, mostrar semblante mais triste e inexpressivo, às vezes, irritabilidade, deixar de cuidar da aparência, ter insônia, queda na produtividade e na qualidade do trabalho, além de perder o prazo das entregas. A indicação para casos desse tipo é sugerir a busca por apoio psicológico e abrir um canal de diálogo.

Esse contexto de isolamento e sobrecarga de tarefas em casa gera uma percepção de falta de tempo livre, o que favorece os sentimentos de ansiedade e angústia, e pode causar o aumento do consumo de alimentos inapropriados, além de bebidas alcoólicas ou outras drogas. Por isso, os gestores podem lidar com a situação da seguinte forma:

1) Conversar com o colaborador, no sentido de entender o que está acontecendo para as perdas dos prazos, menor produtividade e dificuldade na elaboração das entregas, sem cobranças ou ameaças. Sugerir que procure ajuda profissional de psicologia e indicar uma opção menos custosa, como o atendimento gratuito pelo Mapa da Saúde Mental do Google (https://mapasaudemental.com.br/) ou por alguma faculdade de psicologia.

2) Muitas vezes o colaborador não vai se abrir com o gestor por medo de perder o emprego e de sofrer discriminação dos colegas. O grau de intensidade da depressão e a possibilidade de cruzamento com uso intenso de álcool e drogas também podem dificultar o diálogo. Se houver um colega do trabalho muito próximo ao colaborador, pode ser a pessoa mais indicada para o gestor procurar para conseguir um contexto sobre a situação da pessoa e, se for o caso, para fazer esse primeiro contato de apoio a ela.

3) Se necessário, dar uma licença ou reduzir o horário do expediente momentaneamente, diminuir a cobrança, a quantidade de trabalho e o grau de responsabilidade na empresa até que a pessoa se recupere.

4) O gestor também pode entrar em contato com o RH, para procurar familiares que possam ajudar o colaborador, para acompanharem os alertas e procurarem um psicológico de apoio.  

Os profissionais que estão em home office devem buscar manter ao máximo a rotina, com horários e locais bem definidos dentro do lar para trabalhar. Realizar atividades de lazer com a família ou por vídeo, para aqueles que vivem sozinhos, é outra medida que pode ajudar. Investir em itens que tornem a rotina mais confortável, como uma cadeira melhor, também é interessante nesse momento. Alimentação adequada, exercícios físicos que possam relaxar o corpo e a mente. Ter um horário adequado para horas de sono de no mínimo de 7 a 8 horas. 

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