Medo de falar sobre conquistas profissionais e receio de errar: barreiras ao empreendedorismo feminino

Recentemente o Fórum Econômico Mundial divulgou estudo com muitas conclusões a respeito da presença da mulher no mercado de trabalho global. Várias informações ali contidas assustam, como o tempo que teremos de esperar para alcançar a igualdade entre homens e mulheres no mundo corporativo, estimado em 136 anos se nenhuma aceleração desse processo for adicionada.

Foram encontradas diversas situações que precisamos compreender para superar as barreiras que as mulheres enfrentam na jornada profissional, todas elas compiladas no Panorama Liderança Feminina: a visão delas sobre os desafios de gestão, maior estudo já realizado sobre liderança feminina, feito pela Startse em parceria com o Opinion Box.

Ficaram claras no panorama quinze grandes barreiras mentais e emocionais para o empreendedorismo das mulheres, e que impactam de forma incisiva na desigualdade no mercado, como explica Tânia Gomes Luz, ex-vice-presidente da ABSTARTUPS, integrante do Conselho de Inovação (Conin) da Associação Comercial de São Paulo, head do programa Ac boost e especialista em Digital Branding. “Por mais que hoje a mulher tenha amparo legal e instrumental para vencer e superar as barreiras impostas por uma sociedade que sempre a viu como inferior e incapaz, alguns freios ainda seguram este crescimento que, sem dúvida nenhuma, poderia ser muito maior”.

Das quinze barreiras identificadas no estudo, compilamos as cinco mais mencionadas pelas profissionais como as que mais impactam no seu desenvolvimento enquanto líderes empreendedoras. 

5º lugar – Falta de suporte adequado

As mulheres ainda sentem que não existe uma real compreensão da parte das empresas e parceiros da diferença o que um suporte adequado às mulheres pode fazer, já que a mulher tem demandas específicas do gênero e que dependem de uma política da empresa para se expressarem em sua plenitude.

São profissionais que lidam com jornada dupla ou até tripla, e que, portanto, não podem ser tratadas da mesma maneira que os homens caso o objetivo seja expressar igualdade de tratamento e suporte integral.

Mais da metade das mulheres entrevistadas acha que existe suporte adequado em seus grupos profissionais, porém um número bastante alto ainda (41%) se sente pouco suportada nas necessidades específicas da mulher e não consegue equilibrar as diferentes funções femininas na sociedade.

4º lugar – Networking e contatos com tomadores de decisão
Tânia Gomes Luz comenta essa barreira com uma visão social da questão. “As mulheres cresceram entendendo que o ‘certo’ seria viver para o lar, os filhos e a família. Nunca fomos educadas para a abertura total como os homens, que sempre foram incentivados a se abrir para o mundo, se aventurar. Ainda há uma grande dificuldade interna da parte da mulher de explorar o potencial do contato humano no mundo dos negócios”.

3º lugar – Medo de errar

43% das mulheres consultadas pelo Panorama Liderança Feminina: a visão delas sobre os desafios de gestão disseram que temem falhar em missões e situações importantes. Essa insegurança dialoga diretamente com a barreira anterior, onde a própria maneira como a mulher é criada e cresce na sociedade interfere na maneira como ela lida com o mundo exterior.

O maior desafio reside na transformação desta insegurança em uma característica que deixe de atrapalhar e passe a ajudar a mulher na sua construção de carreira, sendo um instrumento a mais de cautela, minimizando falhas evitáveis.

2º lugar – Fugir do estereótipo “mulherzinha”
46% das entrevistadas sentem que é um grande desafio para elas lidar com a expectativa geral de que a mulher líder, em algum momento, revelará que é emocional e frágil demais, expondo-se e fragilizando-se diante de uma equipe ou de seus parceiros.

As características convencionadas masculinas pela sociedade, como objetividade e frieza emocional, tornam-se uma espécie de meta a ser perseguida, e isso acaba por se tornar um conflito constante e é a segunda maior barreira emocional que distancia a mulher da plenitude profissional.

1º lugar – Não falar de suas conquistas
A mulher bem sucedida e segura de si acaba tendo de pagar um preço alto por seu sucesso, que é a extrema dificuldade de mencionar suas conquistas em público. O receio de parecer extremamente vaidosa, “exibida” e com os pés fora do chão acomete 52% das mulheres entrevistadas.

“Culturalmente os homens têm esse exercício muito mais bem resolvido perante a sociedade. Eles falam do aumento de salário que tiveram, da namorada nova, do carro que foi trocado, de quanto estão satisfeitos com a vida e ninguém enxerga isso como uma falha de caráter ou um problema. As mulheres são muito ciosas de suas imagens e sempre são muito criticadas quando resolvem se impor ou falar nos mesmos termos. Isso explica esse comportamento, que infelizmente é tão disseminado. Mulheres que se empoderam devem sim falar disso, pois estimulam outras mulheres a procurarem a mesma satisfação pessoal”, finaliza Tânia Gomes Luz.

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